sexta-feira, 24 de abril de 2009

O discurso da ordem como escudo das elites em tempos de crise

Programas de fortalecimento da máquina de coerção do Estado, polícia e justiça, são o artifício básico das elites quando em momentos de crise de qualquer natureza econômica ou política. Sentindo as dificuldades em manter os privilégios e de mascarar as contradições da sociedade capitalista, o Estado e os aparelhos privados das elites na sociedade civil voltam-se para o endurecimento da lei. Mas a lei torna-se firme para quem?
A polícia federal, até meados de 2002, era um mero instrumento de combate ao narcotráfico. Quando estabelecida a sua função de investigar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e toda sorte de crimes de “colarinho branco”, todo abrandamento das formas técnicas de ação policial começa a ganhar as páginas dos jornais junto com os criminosos que ela começa a desmascarar e prender. Toda sorte de argumentos e pareceres sobre os “abusos” da polícia federal viram notícia nos grades jornais e uma série de pareceres da magistratura vai de encontro à idéia de não humilhar o preso (de colarinho branco).
A repressão à informalidade (dos pobres) é violenta e tratada com louros e glórias, mas, se tal informalidade é prática das elites que não dão os direitos legais do trabalhador, que invadem terrenos, que utilizam o suborno aos agentes públicos, que sonegam impostos, o aparato estatal não se faz presente nem para intimar esses crimes.
Em relação aos moradores de rua a preocupação é retirá-los de nossas vistas, jornais manifestam seu apoio as ações e com reportagens completas informando o “apoio” da população, a melhora na sensação de segurança e toda sorte de melhorias, no entanto, não se sabe as condições dos lugares onde estão sendo levadas essas pessoas, isso não parece ser de interesse púbico, não parece ser pauta para jornal algum.
O que estamos percebendo é a repetição de discursos e ações como farsa retórica para nublar o óbvio, as contradições do sistema capitalista estão sendo expostas e sua face é horrenda e seu cheiro é ruim. Quando a luta de classes aflora em períodos que a crise capitalista é mais acentuada, a saída que as elites encontram é criminalizar os movimentos sociais, é jogar o ônus nas costas da classe trabalhadora – que morre de fome em tempos de crise – é a exposição da contradição no discurso vazio e falso do capital frente a realidade das ruas e dos campos.
O discurso da ordem é para defender os interesses da classe dominante, essa ordem burguesa serve para massacrar os desvalidos mais do que os anos sob a tutela capitalista já o fizeram, no entanto, vozes começam a brotar das ruas, das polícias, dos campos, das escolas e faculdades, uma voz que clama rouca por um novo mundo, uma voz que sentiu o sangue e a dor da opressão e não se abateu porque vem dos corações e mentes que acreditam e lutam por uma vida justa, plena, maior, melhor, a vida que supera a sociedade de classes, a vida socialista.
Por: Rodrigo Wrencher Cosenza/PSOL-Núcleo Centro

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