sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Independência e desenvolvimento: só com o fim da Dívida Pública

A emissão indiscriminada de títulos da dívida pelo governo federal, e a aprovação de medidas provisórias que permitem essa prática do Executivo em detrimento de setores sociais, fez com que o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), apresentasse no dia 19 de agosto, o requerimento para a instalação da CPI da Dívida Pública no Congresso Nacional, que após muito esforço foi aprovado.

Mas não se pode ter dúvida: uma CPI é controlada pelos parlamentares e pelo governo que tem suas campanhas financiadas por banqueiros que engordam o bolso com o pagamento da dívida pública externa e interna brasileira. Ou seja, somente se houver forte pressão da sociedade a CPI pode servir para discutir por que reservam mais de 30% do Orçamento vai para pagar juros e amortizações da dívida pública.

Na 1ª semana de setembro, aprovaram duas medidas provisórias, a 452 e 453, ambas autorizando a emissão de títulos da dívida – que concede crédito de R$ 100 bilhões ao BNDES para fomentar o “desenvolvimento”, mas também permite a emissão de títulos da dívida no mercado. Somente a dívida mobiliária interna ultrapassa R$ 1,5 trilhão, e a dívida pública brasileira atinge o montante de R$ 1,6 trilhão, sendo que se consumiu R$ 163 bilhões em juros e R$ 172 bilhões em amortizações, nos três primeiros meses deste ano.

Este montante de recurso para financiar o enriquecimento cada vez maior de banqueiros, explica porque o governo cortou, em plena crise da gripe suína, 26 milhões da Fundação Oswaldo Cruz – única que produz o remédio contra essa gripe, e também cortou mais de 800 milhões do ministério da saúde. Também é assim que se entende porque a emergência do HUAP segue fechada, e tantos outros problemas sociais são vividos porque a riqueza do país (dos nossos impostos e de nosso trabalho) não é pra sanar os problemas do povo, mas sim as ganâncias dos bancos, que na maioria são “agiotas” das multinacionais.

Segundo o deputado, a rolagem da dívida pública consome 47% do orçamento, recursos que deveriam ser aplicados em áreas sociais, como educação e saúde, e acabam só prejudicando a população. Além disso, a dívida pública não é o tipo de assunto que é tratado pelos meios de comunicação, o que torna mais difícil o debate. A emissão de títulos é criminosa tanto pelos custos elevadíssimos de emissão desses papéis, como também pela falta de transparência na escolha dos investimentos a serem realizados.

Seguir exemplo do Equador

Recentemente acabou de ser feita a auditoria da dívida pública no Equador, auditoria essa que tinha em sua equipe Maria Lucia Fatorelli, ex-presidente sindical da Unafisco (Brasil). Esta investigação comprovou o que já denunciamos aqui no Brasil: “as dividas são uma grande máfia, repleta de irregularidades, injustezas e desvios de riqueza dos povos para alimentar o imperialismo, seus bancos e multinacionais.
Apesar de Lula tentar iludir o povo de que já se pagou a dívida externa, que tem prazer em emprestar dinheiro ao FMI, se esconde que apenas mudou o nome de dívida externa pra dívida pública. Se pagou a pequena quantia que era o montante original e ficou mais de um trilhão em amortizações, juros, etc.

Conquistar uma independência não é fazer desfiles militares, é utilizar as riquezas do país para resolver os problemas que o trabalhador necessita. E isso só será possível suspendendo o pagamento da dívida pública e fazer auditoria.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eleição Sintsama/CEDAE

A chapa 1 (FARSA SINDICAL) e a Chapa 3 (CUT/CTB) realizam uma campanha de calúnias contra a companheira Tânia Patrocínio de Melo. Tudo é fruto do desespero frente ao avanço das declarações de votos e apoios para a CHAPA 2 - UNIDOS PARA LUTAR - MUDANÇA NO SINTSAMA.

Eles mentem descaradamente para a categoria, mas os trabalhadores já perceberam essa manobra e vem repudiando nos locais de trabalho as invenções das chapas do sindicato (1 e 3). Ressaltamos que as chapas utilizam de forma ílicita DOCUMENTOS RETIRADOS DA PASTA FUNCIONAL DE TÂNIA, SEM PRÊVIA AUTORIZAÇÃO DE QUEM QUER QUE SEJA, O QUE POR SI SÓ CONFIGURA CRIME.

ISSO DEMONSTRA A FRAGILIDADE QUE PERMEIA O SUPORTE DOCUMENTAL DA EMPRESA. ESSE FATO ILEGAL TAMBÉM INDICA O CONCHAVO DA DIREÇÃO DO SINDICATO (CHAPAS 1 E 3) COM A DIREÇÃO DA EMPRESA.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Bancários fazem forte mobilização em todo o Brasil

Nesta segunda e terça-feira a greve será ampliada

A greve já soma 4.791 agências fechadas nacionalmente

Em todo o país os bancários foram à luta. Pela primeira vez em anos, de forma unificada, todas as capitais do Brasil pararam no dia 24. A força da greve mostra a enorme indignação da categoria com seu salário e condições de trabalho.

O Movimento Nacional da Oposição Bancária (MNOB) alega que os bancários estão de braços cruzados, porque sabem que o alto lucro de seus patrões, vem do ritmo desenfreado de trabalho, do assédio-moral e do arrocho salarial. Só no último semestre R$ 14 bilhões foram arrancandos dos bancários e do povo com juros e tarifas. Acrescentam ainda que nesse momento seja preciso dar mais um passo, pois a forte adesão da categoria tem que se transformar em maior participação.

Acreditam que somente com a ampliação da greve podem derrotar a ganância dos banqueiros e a vontade do governo de fazer com que os funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal paguem a conta da crise econômica.

A greve, que entra em seu quinto dia hoje, será ampliada. Com a participação da categoria nas assembleias, e na porta dos Bancos para ajudar no convencimento, e aumentar a mobilização e o controle da categoria sobre sua luta.

Estão dispostos a vencer e não aceitar mais uma proposta rebaixada. Por salário, PLR, estabilidade, isonomia e PCS, continuam em greve.


Participar das assembleias é tomar a campanha nas mãos

O MNBO sabe que muitos desconfiam, e com razão, da direção do Sindicato e da Contraf/CUT, que só se propôs a mobilização na última hora, pediu pouco e agora ensaia fazer como nos últimos anos e aceitar mais um acordo rebaixado.

No entanto, sabem que para mudar este script só há um caminho: aumentar a mobilização. É na greve que a categoria terá a chance de alterar os rumos da campanha salarial.
A Oposição Bancária argumenta que o plano da CUT indica em proteção para o governo a todo custo. Nos Correios, onde contou com a inestimável ajuda da CTB (PCdoB), dividiram a greve nacional e aceitaram acordo de dois anos, só porque o Lula pediu, a greve era forte. O acordo só não foi fechado, pois a maioria das bases continua em greve e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou a proposta ilegal.

Por este motivo a MNBO ressalta que a tarefa de todos é aumentar a participação e a vigilância sobre os rumos da greve. Aumentar a mobilização para mais agências, e também votar nas assembleias, são as medidas necessárias para vitória da categoria. A começar por tirar o governo debaixo da mesa da Fenaban.

Tirar o governo debaixo da mesa da Fenaban


Assembleias devem exigir negociação com Banco do Brasil e a Caixa já!

O governo Lula, que deu mais de R$ 300 bilhões para empresários e banqueiros por conta da crise econômica, agora não quer dar nada aos trabalhadores.

O MNOB sabe que com o fantástico lucro do Banco do Brasil, Caixa Econômica e a lucrativa fusão da Nossa Caixa, a intenção deles é que os bancários paguem a conta. E para cumprir tal plano, se esconde embaixo da mesa da Fenanban, e diz que só negocia após a negociação única.

A Oposição Bancária acredita que a farsa da mesa única, mostra sua cara, pois só está ajudando o governo a se manter calado sobre a isonomia, o PCS, o fim da lateralidade no Banco do Brasil e mais contratações na Caixa.

O MNOB convida aos bancários a votar nas assembléias de todo o país a exigência da reabertura imediata das negociações específicas e aproveitar as mobilizações nos bancos públicos, para subir o patamar de negociação de toda a categoria.

Fonte: http://www.conlutas.org.br/exibedocs.asp?tipodoc= noticia&id= 3911

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Não à Repressão

PM do Rio de Janeiro espanca e intimida com arma de fogo educadores e estudantes em greve


Cabral manda espancar educadores, mas a mobilização da categoria derrota seus planos
Neste 08 de setembro iniciou-se a greve dos educadores estaduais no Estado do Rio de Janeiro. A primeira atividade deste dia foi uma grande passeata pelo centro da cidade com a participação de cerca de 4 mil trabalhadores da educação.
Participaram também desta atividade centenas de alunos do ensino fundamental e médio. Esta foi a maior passeata de trabalhadores que a Av Rio Branco já viu neste ano.

Porém ao chegar a Alerj o governo de Sérgio Cabral manda a PM espancar os professores, funcionários e alunos já sentindo o peso da derrota imposta pela mobilização desta heróica categoria. A violência de policiais militares enviados por Sérgio Cabral deixou um saldo de 10 profissionais feridos e hospitalizados, e 02 presos, mas não conseguiu dispersar a manifestação. Um dos presos foi um diretor do SINDIPETRO-RJ que estava prestando a solidariedade dos petroleiros ao ato dos educadores. Gás lacrimogêneo, balas de borracha, gás de pimenta e cassetetes e até arma de fogo, Estes foram os métodos utilizados por Cabral para tentar barrar a manifestação legítima e democrática.

Mais uma vez fica comprovado. A mobilização, a luta é capaz de defender nossos direitos, manter nosso Plano de Carreiras e enfrentar as bombas e a truculência da polícia assassina do governo. A greve do dia 08 teve uma adesão de mais 80% da categoria. Colocou nas ruas e enfrente ao palácio legislativo estadual milhares de trabalhadores, possibilitando com isso a vitória. Acabar com uma gratificação meritocrática como a do Programa Nova Escola é uma vitória. Os educadores vão a rua para acabar com a lógica desta gratificação e defender seu Plano de Carreira. Ambas as tarefas foram cumpridas.

Mas a luta não acabou. O governo de Cabral vem tentando implementar as políticas gestadas pelo MEC de Lula. Por sua vez o governo federal tenta seguir a risca as determinações do Banco Mundial e da OMC. Todo esforço destes governos para cumprir as metas dos organismos internacionais se materializa em políticas que aprofundam o desmonte da educação, o aumento da terceirização e a privatização serviço público. Ao mesmo tempo em que acoberta o desvio de verbas realizado pela quadrilha do Senado de Sarney, estes governos pretendem transformar a educação em uma mercadoria que só alguns possam comprar. Por isso a luta dos trabalhadores da educação estadual segue. A nossa greve deve ter a força de arrancar a incorporação dos educadores com jornada de trabalho de 40 horas semanais no Plano de Carreiras. Estes servidores estão a 15 anos fora do Plano. Por isso a nossa mobilização tem hoje três objetivos: Incorporar a gratificação do Nova Escola ainda no mandato do atual governo, Incorporar os educadores com jornada de trabalho de 40 horas semanais no Plano de Carreiras e garantir que nenhum centavo seja descontado dos contra cheques com esta greve.

A greve continua, Cabral a culpa é sua!


Fonte: http://www.conlutas.org.br/exibedocs.asp?tipodoc=noticia&id=3753

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Carta aos dirigentes e militantes do PSOL

Nota da CST
Fonte: CST/PSOL
Frente à crise que vive a direção do PSOL, a poucos dias da realização do seu II Congresso, avaliamos necessária a reflexão sobre como e por que se chegou à atual situação. Encaminhamos, ainda, propostas políticas e de funcionamento, com vistas a auxiliar na superação do impasse, já que o curso atual pode abalar profundamente nosso jovem Partido.


A crise é de ordem política e metodológica. Ao abandonar desde 2005 o projeto original, a direção majoritária enveredou o PSOL por uma política que privilegiou a disputa eleitoral, subordinando a independência do partido ao defender alianças policlassistas e ao aceitar o financiamento da multinacional GERDAU, este último fato levado a cabo pela direção do MES.


Para manter esse projeto, era necessário mudar o caráter militante do PSOL e aplicar uma forma de organização de filiados, sem compromisso militante nem financeiro, com o único objetivo de ganhar disputas internas a cada dois anos e conseguir apoio no período de eleições, tudo justificado sob o discurso de “partido de massas”.


Esta política, como consequência, fez o PSOL perder espaço na reorganização do movimento sindical e popular, no terreno da luta de classes. E estamos à beira de deixar de ser uma alternativa também no terreno eleitoral se o partido abandonar a disputa com o governo Lula, caso Heloísa não se apresente para disputar a Presidência da República, em 2010. Os militantes e os delegados ao Congresso têm a enorme responsabilidade de reagir, e definir, no Congresso, uma resposta à altura das necessidades da classe trabalhadora e do povo, e não focar na mera disputa por maioria nos cargos de direção, o que esvazia politicamente a instância máxima do partido, enfraquece e desarma a militância e o próprio PSOL.



Do I Congresso à situação atual


A atual disputa pela direção entre as forças que compuseram o bloco da maioria na direção, após o Congresso de 2007, formada pelas correntes MES, APS, MTL, reivindicada pelos independentes do RJ e por Heloísa, demonstrou sua incapacidade, política e metodológica, na tarefa de dirigir o partido. O argumento que apresentaram em 2007 para conformar o bloco foi que iriam dar “estabilidade ao PSOL”. Por conta disso, as forças minoritárias (Enlace, C-SOL, CST e AS/SR) foram informadas, que a maioria tinha decidido “não integrá-las” nas tarefas da direção. Hoje, o partido, com raras exceções, está semiparalisado, e o bloco dividido, protagonizando uma brutal luta fracional.
Esta atitude teve, também, outro significado: a “institucionalização” da mudança em relação ao projeto fundacional. No processo de ingresso da APS, em 2005, colocamos que a falta de aprofundamento da discussão sobre a estratégia com os companheiros, os quais não tinham rompido vínculos com o projeto democrático e popular do PT, deixaria espaço para uma mudança substantiva no PSOL. O fato é que o partido vem sofrendo um progressivo rebaixamento do projeto político original de se apresentar como uma alternativa à esquerda do governo Lula, privilegiando a luta de classes.


Quatro anos após, o MES, que tem uma responsabilidade fundamental nos erros cometidos, agora, porque está ameaçado de não obter a maioria que aspira, passou a avaliar que não há unidade no combate ao governo Lula, e, por isso, o partido deveria apoiar ao MES, para impedir que se imponha outra maioria!



O PSOL se debilitou como alternativa.


Os companheiros do MES fazem um balanço parcial e, portanto, equivocado, sobre o resultado político do partido no último período. O centro de sua avaliação está apoiado no índice de votos de Heloísa Helena e por isso afirmam que o PSOL está muito bem. Mas, o PSOL, ainda com estes índices, tem dificuldade e enfrenta problemas para se enraizar como alternativa política global.


Na preparação do partido para atuar na luta de classes, sua instância nacional de direção, jamais discutiu uma sequer das 411 greves que houve, por exemplo, em 2008, com o objetivo de fortalecer a intervenção de seus militantes. O PSOL dos militantes, esse sim, está no dia a dia, mas, sem uma política nacional, sem que as figuras públicas sejam colocadas à disposição de todo o partido, sem instâncias para avaliar e deliberar suas políticas.


Na corrupção, que foi nosso ponto forte, também retrocedemos. No caso da atual crise do Senado, com atraso e debilmente formulamos o Fora Sarney, mas não houve nenhuma denúncia do regime de conjunto, do próprio Senado, nem desta falsa democracia burguesa. Nem se defende uma bandeira democrática como é a do fim do Senado, por uma Câmara Única Proporcional. As propostas do PSOL, por sinal, foram todas no campo institucional (comissão de ética e CPI), não existiu por parte da direção majoritária nenhum chamado à mobilização para derrotar os corruptos e colocar para fora Sarney.


O perfil de oposição de esquerda a Lula começou a enfraquecer. Já apresentamos diversos textos com estas considerações: A APS chamou o voto em Ana Júlia do PT no segundo turno das eleições de 2006, no Pará. Luciana levou um ministro do governo Lula ao seu programa de TV, em 2008. Nossos parlamentares votaram em candidatos do PT para presidir o Senado e do PCdoB, governista, para presidir a Câmara. A convocatória do Ato de 02/04, no Rio, outdoors e panfletos não falavam uma palavra do governo Lula. Nosso Senador votou no Orçamento do governo. Esses fatos, entre outros, mostram o PSOL retrocedendo de uma oposição categórica pela esquerda ao governo.
O PSOL rebaixou sua postulação como alternativa, ao governo e aos partidos do regime, ao se apresentar em alianças com PV e PSB (e outros partidos em municípios menores) nas eleições de 2008, e, por fim, aceitando financiamento de multinacionais. Ainda que esta posição do MES fosse rejeitada por todas as correntes do Partido, foi imposta como fato consumado sem que a maioria da direção tivesse disposição para discutir medidas à luz do estatuto para quem descumpriu um dispositivo fundamental. Mais grave ainda, pois, o MES mantém a defesa da política de financiamento imposta em Porto Alegre, com o argumento que a Gerdau não entra nas definições tomadas pelo PSOL, pois o “espírito” (!) do Estatuto se referia, segundo sua direção, “às empresas estrangeiras como expressão do imperialismo”. Por que a GERDAU, por sinal a maior “transnacional” do país, seria diferente das multinacionais originadas nos EUA, no Japão ou na França? A posição do MÊS de defesa do anti-imperialismo latino-americano cai por terra nesse ponto, ao esquecer que uma tarefa prioritária para os socialistas brasileiros é combater o caráter subimperialista do Brasil, exercido através de suas multinacionais, em primeiro lugar, pela GERDAU.



Ser oposição de fato ao governo Lula é entrar na disputa de 2010 para valer



Plenárias e congressos estaduais discutiram a disposição de Heloísa em concorrer ao Senado, adiando para 2014 sua postulação para a Presidência. Ao mesmo tempo, algumas das correntes majoritárias desviam o debate afirmando que manter o perfil do PSOL como oposição de esquerda ao governo Lula é garantir HH como presidente do partido, desconsiderando que o PSOL perderá muito mais caso não se apresente com sua principal figura como alternativa na disputa presidencial contra o projeto “lulo-petista”. E também, perdem setores de massas que querem votar, pela esquerda, contra o governo. É evidente que devemos aprofundar, exaustivamente, um debate de programa, alianças e financiamento. Mas é da mesma forma evidente que o melhor quadro para enfrentar o projeto do governo, e o da falsa oposição da velha direita, é Heloísa: a simpatia colhida entre setores importantes da população e a possibilidade de diálogo com o movimento de massas é um capital acumulado que, caso se apresente Marina Silva, daremos de presente para sua candidatura, a qual disputará um espaço de oposição, ainda que com um perfil longe de ser de esquerda. Significará o caminho livre para Marina e o PV, com um projeto em defesa do meio ambiente, que pode crescer sobre nosso espaço, mas que não tem nada a ver com a alternativa socialista que propõe o partido afirmando como única estratégia para salvar a natureza e a humanidade a luta anticapitalista e socialista. Ou seja, entregaremos a este falso projeto ecológico “radical” o espaço ganho pelo conjunto do PSOL, pelos radicais, por Heloísa Helena, por nossa militância, o que seria uma verdadeira derrota política. Ficamos surpreendidos negativamente quando soubemos, pela imprensa, que a direção do MES informou sobre conversações entre o PSOL e Marina, para lhe propor se filiar ao PSOL. Assim, Heloísa poderia concorrer ao Senado, pois, Marina seria a candidata presidencial do PSOL! Tudo isso, sem informar ao partido, às instâncias, a menos de 10 dias do Congresso. O primeiro exemplo deste desrespeito com o partido, da oferta pública de sua legenda eleitoral foi quando o MES incidiu sobre Protógenes no intuito de fazê-lo candidato a deputado pelo PSOL. Não se tratava, ali, da legítima defesa do delegado no seu confronto com o governo e o capital, o que todos compartilhamos. Mas, sim de oferecer legenda sem discussão em nenhuma instância e sem o devido debate para saber se compartilhamos com Protógenes um projeto político de esquerda e socialista.



Reordenar o partido em torno da política e da democracia interna!

E não da luta fracional de disputa exclusiva pelos cargos



Por tudo o que dissemos, acreditamos que o debate fundamental do II Congresso não é quem vai presidir o partido. Ou o PSOL se postula como alternativa, nas ruas e nas urnas, ou se enfraquecerá, independente de quem vier a ser presidente do partido.


Para tal, temos que partir das necessidades da classe trabalhadora e do povo. Fruto da crise econômica e da atual política do governo, a situação social apresenta um quadro gravíssimo. Ao desemprego, à falta de política de segurança, ao sucateamento da saúde e da educação, aos baixos salários, se agrega, agora, a pandemia de gripe suína. A esse quadro grave para as condições de vida de milhões, soma-se a corrupção que corrói as instituições políticas e provoca rejeição, às vésperas da disputa presidencial.


É necessário que o II Congresso proponha uma política para colocar o bloco na rua. O PSOL tem a obrigação de ajudar a construir uma resposta de luta na atual situação. O PSOL deve chamar às ruas para exigir do governo decretar emergência sanitária: suspender o pagamento dos juros da dívida e investir em contratação imediata de médicos, enfermeiras, técnicos, para todos os hospitais e postos de saúde do país. Deve providenciar massivamente máscaras e condições de prevenção para os trabalhadores da saúde e a população em geral. Deve quebrar as patentes e produzir de imediato os remédios necessários. O PSOL deve organizar a luta contra o desemprego: Nenhum novo demitido! Buscar apoio dos trabalhadores ao projeto de Luciana proibindo as demissões. Por um Plano de Obras públicas para que todos trabalhem! Aumento salarial de emergência! Fora Sarney e o Senado! E lançar esta campanha não país inteiro, encabeçada pela companheira Heloísa Helena.


Junto com isto, tem que ser tomada, no Congresso, a decisão de lançar Heloísa para a disputa de 2010. Já! Em que pese às dúvidas que tem a companheira, a defesa de uma conferência eleitoral nos próximos meses para decidir seria um grave erro político que agravaria a situação do PSOL, nos tiraria da disputa. E pior ainda, caso Marina concorra, estaríamos entregando o terreno conquistado. Se concorrer, Marina poderá ter apoio de poderosas ONGs e se repetir o fenômeno que aconteceu nas eleições européias, onde os verdes franceses capitalizaram o desgaste do governo e o NPA ficou com um modesto crescimento. Não se trata de nos adaptarmos ao discurso de Marina e dos falsos ecologistas do PV, mas, manter, fortalecer e divulgar nosso projeto de oposição de esquerda, de alternativa de luta e socialista, antiimperialista, colado aos trabalhadores. Por sua vez, chamamos a ratificar a Frente de Esquerda e com os movimentos sociais como nossos aliados na próxima disputa eleitoral.



Conformar um Bloco de Esquerda Consequente


Finalmente, fazemos um chamado à responsabilidade de todos os dirigentes. O Congresso se aproxima. Sua preparação não pode se reduzir a articulações das correntes em torno da composição da direção e da candidatura a presidente do PSOL, mas no debate sobre a melhor forma de fortalecer o partido para as disputas políticas e da luta de classes, presentes e futuras.


Frente à crise que se alastra no setor majoritário, o Enlace, o C-SOL, a CST e o Bloco de Resistência Socialista, têm um enorme desafio: apresentar uma alternativa unitária, sobre bases políticas que retomem e avancem a partir do compromisso com o qual fundamos o partido, de respeito ao seu estatuto e ao seu programa, com eixo na luta de classes e de disputa nas lutas e no plano eleitoral, com uma clara política alternativa, de esquerda frente à falência do projeto petista e da falsa oposição tucana. Junto com isto é preciso um chamado a todos os dirigentes e a todos os delegados a construir de fato as instâncias, a democratizar o funcionamento do partido, a rejeitar o financiamento do grande capital seja brasileiro ou estrangeiro, a retomar os núcleos e garantir um partido plural, onde as divergências não impliquem a desqualificação dos que divergem, mas, sim, o estímulo ao debate sobre o melhor caminho para construir uma alternativa para a maioria explorada do povo brasileiro.



Coordenação Nacional CST/PSOL – Corrente Socialista dos Trabalhadores – agosto 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Morte de sem-terra

O sem-terra Elton Brum da Silva foi morto durante operação de despejo dos invasores da Fazenda Southall, feita pela Brigada Militar (BM, a Polícia Militar gaúcha) na manhã de hoje em São Gabriel, no sudoeste do Rio Grande do Sul. A informação é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acusa a BM pelo tiro que matou seu militante.
Uma área da propriedade rural de 5 mil hectares estava sob ocupação desde o dia 12. Ao amanhecer, cerca de 300 policiais militares cercaram os sem-terra para cumprir mandado judicial de reintegração de posse e fazê-los sair do local. O disparo foi feito durante a operação.

domingo, 9 de agosto de 2009

PSOL na campanha "Fora, Sarney"

Agenda de Atividades do PSOL na próxima semana.Campanha "FORA SARNEY"

2ª FEIRA - 10/08/2009 - 12:00 Hs. - Largo da Carioca

3ª FEIRA - 11/08/2009 - 12:00 Hs. - 7 de Setembro com Rio Branco

4ª FEIRA - 12/08/2009 - 12:00 Hs. - Rio Branco com rua S. José (Buraco do Lume)

5ª FEIRA - 13/08/2009 - 17:00 Hs. - Saída do Metrô para a Rio Branco, no Lgo. da Carioca.

DOMINGO - 16/08/2009 - Caminhada - praia de Copacabana . Concentração às 9:30 Hs e saída às 10:00Hs. no antigo hotel MERIDIEN. (Princesa Isabel x Av. Atlântica)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

¡Fora ianques da Colômbia!

Fonte: Alternativa Socialista - Colômbia

Tal como diz a letra da música: na Colômbia mandam os gringos. O governo Uribe comemora a independência da Colômbia ampliando a intervenção dos EUA em nosso país com a instalação de 5 bases militares para substituir a base de Manta que eliminou o Equador.


Esta ocupação e a instalação dos enclaves têm como objetivo afiançar o domínio dos Estados Unidos na Colômbia e na região. O amo ianque precisa esmagar os processos de resistência que saltam por todo lado no continente. Para consegui-lo combina os golpes militares com os acordos como o faz em Honduras. Estas medidas são aplicadas porque o Império precisa impedir que se generalizem fenômenos como a triunfante luta dos indígenas e trabalhadores peruanos que obrigaram o presidente Alan Garcia a anular os decretos com os quais tentou vender a selva e os recursos naturais da Amazônia às multinacionais. Obama, o gerente do império, busca com a intervenção na América Latina minimizar a derrota sofrida no Iraque de onde foi expulso pela triunfante resistência do povo iraquiano que o obrigaram a sair com o rabo entre as pernas.


O fiel escravo permite a ocupação norte americana e esconde por trás do discurso da luta contra o terrorismo e o narcotráfico a entrega dos recursos naturais aos monopólios e às multinacionais através de leis como a da água e bosques. Fecha Cajanal, liquida a Rede Hospitalar Pública, permite o genocídio dos indígenas, o aumento do desemprego e a gravíssima situação dos “desplazados”. *


Para cumprir com a parte do plano que falta, Álvaro Uribe pretende terminar a venda de Ecopetrol e das centrais elétricas, eliminar os impostos com os que se financia Sena e o ICBF, implementar uma nova reforma tributária para estabelecer novos impostos contra os pobres, aplicar o ato legislativo 01/2005 que elimina conquistas dos pensionistas e coloca todos os trabalhadores sob a lei 100 que nivela por baixo os salários. Tudo para conseguir que sejam os trabalhadores e os pobres os que paguem pela crise econômica.


Enquanto Uribe aplica este nefasto plano a nível nacional, governos locais como o de Bogotá e Cali que dizem ser “alternativos” privatizam empresas municipais de serviços públicos como a ETB e Emcali.


O PDA, a direção majoritária das organizações de massas continua como espectador desperdiçando energias em torno do seu apetite eleitoreiro, a serviço do qual coloca todas as lutas, incluindo a próxima Cúpula de Organizações Políticas e Sociais. O que os trabalhadores e o povo precisam é unificar as lutas que estão acontecendo e convocar o restante da classe trabalhadora, estudantes, camponeses, desplazados, vitimas da violência e à população a construir uma coordenação de luta e solidariedade que organize a mobilização para expulsar os ianques da Colômbia, para derrotar a guerra “preventiva”, a seguridade democrática e o “pacotazo” econômico unificando todas as reivindicações e necessidades em um programa único que, junto a um plano de ação, prepare as condições de uma paralisação nacional.


*população que teve que fugir de suas terras e casas, vítima dos ataques do exército e das fumigações com substâncias químicas altamente tóxicas"


Fonte: http://www.cstpsol.com/

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Vamos preparar grande dia de manifestações e paralisações em todo o país


14 de agosto



Em reunião realizada na quarta feira passada (8/07), as Centrais Sindicais e os movimentos sociais mais importantes do país decidiram confirmar o dia 14 de agosto como um Dia Nacional Unificado de Lutas. Será a continuação da jornada realizada em 30 de março passado. As bandeiras fundamentais que serão o mote desta jornada são: Defesa do Emprego, Redução da Jornada de Trabalho Sem Redução Salarial, Defesa dos Salários e dos Direitos dos Trabalhadores, além de outras reivindicações que comporão as bandeiras definidas unitariamente para embalar este processo de mobilização.
Como não houve consenso em definir este protesto centralmente como um dia de paralisação nacional, serão realizadas manifestações de rua e também de paralisações, de acordo com a definição de cada uma das centrais e das entidades de base, a partir da opinião de cada uma delas e da disposição de luta dos trabalhadores em suas bases. O caráter unitário será marcado pelas manifestações conjuntas a serem realizadas nas capitais dos estados.
A Conlutas produzirá seu próprio material de convocação e divulgação do Dia Nacional Unificado de Lutas, na medida em que não houve acordo para a confecção de uma convocatória comum.
A disputa política em torno ao caráter dos protestos
As duas divergências que surgiram na preparação desta jornada (paralisações e manifestações ou apenas manifestações de rua, e a divergência sobre o conteúdo da convocatória) refletem a mesma disputa sobre o caráter destes protestos que já identificamos em 30 de março. A Conlutas e outros setores combativos do movimento, como a Intersindical, etc, defendemos um processo de lutas que além de enfrentar os capitalistas e sua ofensiva para descarregar nas costas dos trabalhadores o peso da crise, enfrente também o governo Lula e governos estaduais que tem sido aliados fundamentais dos banqueiros e patrões em todo este processo.
A maioria das demais Centrais Sindicais, presas aos seus compromissos com o governo, rejeitam essa linha e tentam limitar a nossa jornada a um protesto contra a ganância dos patrões (com o que estamos 100% de acordo), mas isentando o governo de sua responsabilidade ou mesmo apoiando-o.
Apesar das diferenças existentes entre as organizações do movimento, a unidade de ação para realizarmos um grande protesto dia 14 de agosto é fundamental para este momento da luta dos trabalhadores. Por isto é obrigação e tarefa primeira de todos nós impulsionarmos toda mobilização possível nesta data.
Mas identificar as diferenças que vem ocorrendo no movimento é importante para que não hesitemos em difundir todas as nossas opiniões e bandeiras, seja na preparação desta jornada, seja nas atividades do próprio dia 14. É necessário e é legitimo que o façamos, da mesma forma que é legitimo que as demais organizações também o façam.
Fortalecer as campanhas salariais e as lutas em curso é parte da preparação do dia 14
Estamos no inicio da campanha salarial dos metalúrgicos, dos petroleiros, correios, bancários, ao mesmo tempo em que temos a luta do funcionalismo federal (em particular a greve da previdência), as mobilizações dos servidores municipais, as lutas dos diversos movimentos populares, como a do MTST, etc. Precisamos cercar de solidariedade essas e impulsionar as que for possível.
Essas mobilizações que estão ocorrendo precisam culminar em uma grande mobilização nacional dia 14 de agosto. É muito importante que busquemos organizar (a partir das campanhas salariais, a partir das lutas dos municipários, a partir das lutas dos servidores federais e estaduais, dos movimentos populares, dos estudantes, etc) greves e paralisações em todos o país onde houver real disposição dos trabalhadores para tal. As mobilizações de rua, passeatas são importantes e devemos fortalecê-las, mas esse não pode ser o limite das mobilizações do dia 14.
Construir as atividades e fortalecer a presença da Conlutas
Devemos ter a iniciativa de buscar as demais Centrais Sindicais, buscar todos os sindicatos, os movimentos sociais em cada estado para discutir a organização das atividades do dia 14 de agosto. Devemos ser ousados e buscar imprimir uma dinâmica mais forte às atividades, nos apoiando nas mobilizações existentes.
Ao buscar as demais Centrais e entidades para organizarmos conjuntamente as atividades nos estados não devemos nos descuidar do conteúdo dos materiais de convocação. Não podemos trabalhar com o material assinado nacionalmente por elas. Onde não for possível um texto comum, onde entre também a nossa política em relação ao governo e a nossa visão da crise econômica, devemos ter nosso próprio material.
Levantar as bandeiras da Conlutas - A mobilização do dia 14 conta com um conjunto de bandeiras unitárias. No entanto, isso não significa que deixaremos de lado as demais bandeiras que compõem a plataforma da Conlutas. A começar pela exigência dirigida ao governo Lula, para que ele pare de ajudar as empresas e bancos, frente aos efeitos da crise, e garanta o emprego dos trabalhadores, editando uma lei que proíba as demissões.
Jornal especial da Conlutas – A Conlutas produzirá um jornal especial para convocar o Dia Nacional Unificado de Lutas e para a difundir suas opiniões e bandeiras. Este jornal deverá estar pronto e impresso na reunião da Coordenação Nacional que acontecerá no Rio de Janeiro, das 25 e 26 de julho.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A UNE FOMOS NÓS, NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ!


O congresso da UNE na semana passada começou e acabou no mesmo dia. Após a palavra do primeiro orador, não havia mais o que discutir.Logo na abertura, acompanhado de sua candidata à sucessão, o Presidente da República - que havia mandado o Estado pagar a conta do evento - deu o tom e a linha política, defendendo um programa de seu governo (PROUNI) que deveria ser objeto de um grande debate num congresso de estudantes, já que repassa verbas públicas para o ensino privado, os "tubarões do ensino", no antigo jargão da UNE.
Mas como criticar o programa, se o Ministério da Educação entrou com 600 mil reais, na "vaquinha" estatal para organizar o congresso, cuja prestação de contas, como a das famosas carteirinhas, ninguém verá. A UNE, que já foi uma escola de política, se transformou numa escola de políticos, no pior sentido da palavra.
O importante para os organizadores do "congresso", na verdade, foi o ato público de louvação a Lula e apoio à sua candidata em 2010. O resto é a matemática de contar os crachás de delegados levados pela máquina e eleger quem vai exercer a presidência da entidade, meio caminho andado para a Câmara dos Deputados.
Não faltou também uma passeata sobre o tema do petróleo. Não com o discurso combativo dos anos cinqüenta do século passado, em que a UNE foi um dos baluartes da campanha "O PETRÓLEO É NOSSO". A manifestação chapa branca foi contra a CPI da Petrobrás e não pela reestatização da empresa, como lutam unitariamente as forças progressistas, em torno da atual campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO.
Também, pudera. A maioria da direção da UNE é do mesmo partido que dirige a ANP, a agência que opera a privatização e a entrega do nosso petróleo às multinacionais.
Mas a juventude brasileira não pode entregar os pontos. Não pode desistir de resgatar a independência e a tradição de luta da UNE, rendendo-se aos que a aparelham e envergonham a sua história. Também não se trata de criar uma UNE paralela, um outro aparelho partidário, outra forma de se render à maioria eventual que hoje desvia a entidade de seus objetivos.
A juventude brasileira que ainda se rebela contra a injustiça e a iniqüidade precisa construir um amplo MOVIMENTO PELA RECONSTRUÇÃO DA UNE que, a partir das escolas e dos Centros Acadêmicos, tome nas mãos as rédeas do movimento estudantil e saia às ruas de todas as cidades brasileiras, voltando a gritar bem alto o mais histórico refrão da entidade:A UNE SOMOS NÓS, NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ!
Ivan Pinheiro - Secretário Geral do PCB

sexta-feira, 17 de julho de 2009

PARA LULA, BOM MESMO É O ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Graças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sabemos agora qual foi o maior benefício que a Revolução Bolchevique trouxe à humanidade: "quem mais ganhou com a revolução de 17 foi a Europa Ocidental porque, com o medo do comunismo, criou o Estado do bem-estar social".
Foi isto que S. Exa. afirmou nesta quinta-feira, discursando no 51º congresso da União Nacional dos Estudantes. Nem sequer o papel fundamental que a URSS desempenhou na derrota do nazismo parece ser relevante, na opinião de Lula.Ele se coloca não ao lado dos que fizeram a revolução e tentaram materializar um estado dos trabalhadores, mas sim na trincheira dos países capitalistas que, para evitar a propagação dos ideais revolucionários, trataram de melhorar um pouco a vida dos seus cidadãos.E, para que não deixar dúvidas quanto a seu desprezo pelos valores da esquerda, Lula disse também que "para uma pessoa pobre ter uma caixa de lápis é mais importante do que uma revolução".Ele se mostrou coerente com posicionamentos anteriores, como o de que não era esquerdista, mas sim torneiro-mecânico; e o de que, quando um sexuagenário continua esquerdista, é porque tem um parafuso solto na cabeça.Está numa fase de dizer inconveniências (por que ofender os pobres pizzaiolos, comparando-os aos senadores?) e renegar seu passado.Já descobriu até que é amigo do Collor desde criancinha, tanto que ambos já superaram uma pequena desavença de 1989, quando o Fernandinho andou falando demais sobre as puladas de cerca do Luizinho. Todos os amigos têm uma briguinha de vez em quando...Então, ficamos entendidos: os bons lulistas agora têm de defender com unhas e dentes o Estado do bem-estar social, seja na versão que o capitalismo selvagem (ôps, eu queria dizer globalizado...) varreu da Europa, seja na adaptação brasileira, com o Bolsa-Família garantindo caixas de lápis às pessoas pobres.Ah, uma última recomendação: esqueçam Karl Marx. O teórico inspirador do lulismo não é o velho barbudo, nem tampouco o economista e sociólogo sueco Karl Gunnar Myrdal, tido como o pai do Estado do bem-estar social.As posições que Lula tem rusticamente professado, tanto em economia quanto em política, aproximam-no mais de Edouard Bernstein, aquele que acreditava numa melhora constante da situação dos trabalhadores sob o capitalismo, tornando desnecessária uma ruptura revolucionária.Quanto a nós, velhos ranzinzas, continuaremos seguindo Rosa Luxemburgo que, no seu clássico Reforma ou Revolução, pulverizou as falácias oportunistas de Bernstein.

Postado por Celso Lungaretti às 11:38 AM

Fonte: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Todo apoio à luta do povo hondurenho contra os golpistas!

Nota da CST
Fonte: CST/PSOL
O povo hondurenho começou a se mobilizar e está saindo às ruas repudiando o golpe militar. Sua luta é nossa luta, a que enfrenta nas ruas os golpistas, desafiando o toque de recolher.


A Corrente Socialista dos Trabalhadores/PSOL apóia esta justa luta e a convocatória a uma greve geral contra o golpe de estado. Será a mobilização e participação operária e popular a garantia para derrotar os golpistas, como o fez o povo venezuelano em abril de 2002, e possibilitará que a decisão da maioria da população seja respeitada, possibilitando punir os golpistas e repressores do povo hondurenho e efetivar a consulta popular e a convocatória a uma Assembléia Constituinte.


Com o golpe de estado, a oligarquia, os mandos militares, a hierarquia da igreja católica e os chefes das instituições do regime, violentam suas próprias leis.


O governo Zelaya, de origem liberal, tinha decidido se incorporar a ALBA, encabeçada por Venezuela. Com esta atitude, buscava apoio em setores populares, se apresentando com posições “socialistas” e com algumas críticas aos EUA, mas da mesma forma que os governos da Venezuela ou Bolívia, não tinham como projeto abandonar o capitalismo. Tinha atritos com o imperialismo e tentava pressionar para negociar acordos comerciais em melhores condições. Mas nem isto podia ser aceito pela velha oligarquia e burguesia hondurenha, eterna aliada do imperialismo. Devemos lembrar que Honduras foi um país que serviu de base para a atuação da “contra”, guerrilha de paramilitares financiada pelos EUA, que atuou na década de 80 contra Nicarágua.

Os socialistas revolucionários não apoiamos politicamente o governo de Manuel Zelaya e defendemos que uma verdadeira independência nacional e o progresso para os povos somente pode vir através da expropriação do latifúndio e da burguesia, no caminho de construir um verdadeiro socialismo. Mas, frente este golpe de estado, não temos dúvidas em repudiá-lo categoricamente a par que exigimos que seja respeitado o governo de Zelaya eleito pelo povo de Honduras.


Alertamos que instituições imperialistas como a ONU e as que estão ao seu serviço, como a OEA, assim como os governos de Obama e da União Européia, entre outros, que tem se pronunciado contra o golpe, procuram negociar com os golpistas o retorno de Zelaya, mas condicionado a que o presidente eleito ponha fim às mobilizações e desista de convocar à Assembléia Constituinte, o que significa impedir que o povo hondurenho possa se expressar e decidir os rumos de seu país.


É necessário constituir Comitês de Solidariedade com o povo hondurenho, ou os organismos necessários para coordenar e impulsionar de forma unitária todas as atividades em apoio à luta contra o golpe. È hora de atuar como um único punho, com uma única voz para derrotar os golpistas, verdugos do nosso povo irmão de Honduras.


Na América Latina e no mundo todo, devemos nos somar a esta mobilização. Apelamos às organizações sindicais, camponesas, indígenas, estudantis e populares, assim como às organizações políticas democráticas, antiimperialistas e de esquerda a nos mobilizar massivamente em cada país, frente às embaixadas e consulados, para expressar nosso apoio à luta pela derrota do golpe militar.


-Abaixo o Golpe militar de Honduras! Nenhuma negociação com os golpistas!


-Solidariedade internacional com a luta do povo hondurenho, pelo fim da ditadura, a punição aos golpistas e a convocatória à Assembléia Constituinte!


Corrente Socialista dos Trabalhadores-CST/PSOL


02/07/09

sábado, 4 de julho de 2009

Irã: O que há por tras dos protestos...

No Irã, milhões de pessoas se mobilizaram nas ruas, especialmente na capital, Teerã, para repudiar a fraude eleitoral e exigir eleições livres e democráticas. Milhões tem enfrentado a repressão selvagem do governo de Ahmadinejad, que deixou dezenas de mortos, centenas de feridos e presos.
Os socialistas revolucionários chamamos aos povos do mundo a se solidarizar com o povo iraniano nas ruas e a repudiar a repressão assassina do governo e do regime iraniano. Pode confundir o fato que o governo iraniano e seu líder Ahmadinejad aparecem mundialmente denunciando o imperialismo ianque e inglês como instigadores das mobilizações através da CIA.
O imperialismo pretende se assumir como direção das poderosas mobilizações de milhões de iranianos que exigem respeito ao voto popular, violentado pelo governo iraniano numa fraude escandalosa. Isto tem sido reconhecido até pelas autoridades eleitorais quando afirmaram que ao menos em 25% dos locais de votação os votos superam a quantidade de votantes. Isto é parte da campanha que o imperialismo desenvolve para quebrar a independência e a soberania do povo iraniano. Por isso, ao mesmo tempo em que apoiamos as mobilizações e suas justas reivindicações, rejeitamos qualquer tentativa de intromissão imperialista e do sionismo no Irã. Nem Obama nem nenhum governo imperialista podem se atribuir o papel de defensores das liberdades democráticas quando são os que atacaram e atacam a soberania dos povos do mundo.
Mas rejeitamos a falsa interpretação do governo iraniano, como a do governo venezuelano de Hugo Chávez, de que milhões de pessoas saíram as ruas instrumentalizadas pela CIA e o imperialismo. Isto é falso. Com estes argumentos se pretende ocultar a realidade de mais de dois milhões de jovens, mulheres, trabalhadores e setores populares que saíram às ruas para exigir eleições sem fraude e rejeitaram a repressão.
Estas declarações lembram as do stalinismo quando os povos exigiam suas reivindicações nas ruas e eram esmagados pelos tanques russos com o argumento de ser “um complot da CIA”. Obviamente, o imperialismo e o sionismo querem aproveitar para levar água para seu moinho. Mas em última instancia, é responsabilidade do governo e do regime islâmico iraniano que isto possa ser aproveitado pelo imperialismo seus adeptos no Irã, quando por trás de seus discursos antiimperialistas impede que seu povo se expresse em liberdade e exija e lute pelos seus direitos políticos e sindicais.
Uma mobilização popular revolucionária
Os socialistas revolucionários que, sem dar apoio político ao governo de Ahmadinejad, sempre repudiamos as ameaças políticas e militares imperialistas contra o Irã, convocamos à solidariedade internacionalista com a mobilização popular contra o governo de Ahmadinejad e sua repressão assassina.
No Irã aconteceu uma mobilização revolucionária, com objetivos democráticos: contra a fraude nas eleições presidenciais de 15 de Junho e por eleições democráticas. É uma mobilização progressiva, independentemente que tenha uma condução política burguesa (o candidato Mousavi) porque vai contra um regime e um governo burguês, que vem atacando as reivindicações das massas e suas liberdades para mobilizar e exigir, seja no terreno sindical, estudantil ou popular.
Sem dar nenhum apoio político à direção de Mousavi, devemos estar do lado dos manifestantes contra o governo de Ahmadinejad, que reprime e proíbe as manifestações e ameaçou, junto com o aiatolá Khamenei com um “banho de sangue”.
O Irã demonstra o fracasso dos governos nacionalistas burgueses
Pela primeira vez, após 30 anos do triunfo da revolução islâmica, aconteceu a maior mobilização de massas desde a queda do Xá em 1979. A fraude eleitoral e a proibição às mobilizações canalizaram o descontentamento de milhões que já vinha existindo e se expressava em greves, críticas ao governo pelo desemprego, a queda do salário, exigências estudantis e a luta pela liberdade das mulheres.
Ficou a nu o fracasso do projeto capitalista “independente” do movimento islâmico xiita iraniano. Como antes fracassaram, como “modelos independentes e de igualdade social” o nasserismo, o peronismo e o PRI mexicano. Fracassaram como solução para os povos porque tem sido e são regimes e governos que não saem dos marcos do capitalismo e terminam enfrentando os trabalhadores e os povos com planos de ajuste, apoiando às burocracias sindicais, rejeitando a autonomia sindical, etc., similar por ex., ao que acontece com o governo Chávez na Venezuela ou com Evo Morales na Bolívia.
No Irã, a revolução de 1979 derrubou o regime pró ianque do Xá Reza Palhevi. Desde então se impôs um regime nacionalista burguês, encabeçado pelo aiatolá Khomeini e os religiosos islâmicos xiitas, vinculados à burguesia comercial do Bazar que rompeu relações com os EUA e Israel, o que se mantêm até hoje. O Irã se transformou assim em um país independente das ordens políticas do imperialismo, mas se mantendo nos marcos capitalistas.
As massas e o movimento operário tiveram um papel protagonista nessa revolução. No processo surgiram conselhos ou Shoras operários. Mas, em poucos anos o regime burguês dos aiatolás foi liquidando muitas conquistas democráticas e sociais. As terras foram devolvidas aos latifundiários, os conselhos operários foram dissolvidos, impondo-se conselhos operários “islâmicos” formados pelo governo. Não existe direito à organização estudantil e sindical independente e estão proibidas as greves no setor público. Desde então, este regime autoritário se manteve sob as rédeas do poder. É encabeçado pelo chefe religioso dos xiitas, aiatolá Khamenei, desde 1989 com a morte do aiatolá Khomeini. O poder autoritário mostra-se também no fato de que khamenei designa e controla diretamente a chefia das Forças Armadas, a chefia da Rádio e Televisão, a chefia do poder judiciário e a chefia do Conselho de Discernimento, que por sua vez domina o Conselho dos Guardiães da Revolução. Por votação são eleitos o Presidente e o Parlamento. O que tem variado desde 1979 são os governos, onde distintas alas do movimento islâmico iraniano se sucedem. Por exemplo, os hoje opositores são parte do regime. Mousavi foi primeiro ministro de 81 a 89, sob Khomeini e seu atual aliado, Rafsaniani, foi presidente nos anos 90.
O mal-estar social e as privatizações de Ahmadinejad

Esta rebelião teve sua origem no profundo mal-estar social e político do movimento de massas, que já vem há muito tempo, fruto das políticas antioperárias e antipopulares do governo Ahmadinejad. Esse mal-estar é o que expressa a composição social das marchas, onde se misturam a pequena-burguesia junto com os estudantes, trabalhadores e setores populares.Desde os anos 90 há um plano de privatizações que se aprofundou no atual governo. Nesse plano entraram empresas de telecomunicações, ferro, cobre, alumínio, aço, setores do petróleo, petroquímica, gás, etc. As inversões estrangeiras são formadas por capitais da França, Suécia, Noruega, China, Rússia, Japão, dentre outros. A única exceção são os capitais norte-americanos. Estas privatizações deixaram um saldo de milhares de desempregados, além da queda do nível salarial.
O ataque aos trabalhadores e ao povo tem sido aprofundado em meio à crise econômica capitalista mundial. Tampouco no Irã houve o “descolamento”. Em primeiro lugar, no Irã também houve uma onda especulativa dos bancos privados nos negócios imobiliários que terminou com a explosão da bolha em maio-junho de 2008, que deixou muitos acionistas falidos e uma forte queda no valor das casas com todas as suas conseqüências sobre a classe média e a queda geral do consumo. Em segundo lugar, existe “desde setembro de 2005 (no ritmo das privatizações) uma forte queda do salário real dos grupos sociais mais desfavorecidos e da classe média”. Em terceiro lugar, a “inflação teve mais uma vez uma tendência ascendente, para situar-se oficialmente, em 25% em 2008...e em mais de 60% no primeiro trimestre de 2009”. E, por último, o desemprego está ao redor de 15% (Dados de Ramine Motamed-Nejad do Le Monde Diplomatique, junho de 2009).
A isto temos que acrescentar a queda nos preços do petróleo, que tem diminuído o bolo para reparti-lo para o estado e para os distintos setores da burguesia iraniana. Também no Irã querem que a crise seja paga pelos trabalhadores.
Há mais de um ano crescem as reclamações sociais, as greves (professores, setor do transporte, trabalhadores do açúcar, de pneumáticos, entre outros); houve uma greve dos comerciantes do Grande Bazar de Teerã contra o aumento do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) em outubro de 2008 e houve uma luta universitária importante no início deste ano. O governo respondeu. em quase todos os casos, com a repressão.
Crise econômica e crise nas alturas

Os efeitos da crise econômica capitalista e social aprofundaram a divisão burguesa existente no Irã, que se reflete no choque das distintas alas políticas do regime islâmico iraniano. A ala que detém o poder, o aiatolá Khamenei-Ahmadinejad, estaria ligado ao setor que dirige “as empresas estatais, as fundações islâmicas, que controlam quase um terço da economia e os bazares ou mercados tradicionais”. O liderado pelo ex-presidente Hashemi Rafsanjini, que apóia Mousavi, estaria “mais ligado ao capital estrangeiro (bancos, exportadores, setores do petróleo e a construção) – Dados do Clarín, Argentina, 15-06-09. No setor do petróleo há que se levar em conta que não há capitais e empresas yankis, mas sim da União Européia, da Rússia e China, o mesmo que na indústria automobilística (Citroen, peugeot, Reanult, entre outras).
Por isso, a ala de Mousavi expressaria mais o desejo de uma maior abertura negociadora com o Ocidente e uma linha mais moderada com Israel e os EUA. Mas isto não significa que esta ala já seja 100% pró-ianque, já que, por exemplo, continua apoiando o programa nuclear iraniano, tão questionado pelo imperialismo.
Por sua vez, o imperialismo ianque está na expectativa, sem uma intervenção direta, fruto de sua debilidade no Irã e na região. Obama tinha lançado uma proposta de saída negociada com o Irã. Estava articulando isso quando estourou a crise. O imperialismo vai incentivar uma divisão no regime e seu enfraquecimento para obrigá-lo a entrar em uma negociação favorável a ele e ao sionismo. Nesse sentido lhe conviria o triunfo da ala Mousavi. Mas também sabe que brinca com fogo e não pode estimular um processo revolucionário que poderia sair de suas mãos e incentivar outras revoltas populares no já convulsionado Oriente Médio.

Apoiemos a luta do povo iraniano

Apesar de momentaneamente as mobilizações não tenham a força dos primeiros dias se abriu um processo onde até o poder do alto clero religioso dos aiatolás foi confrontado com as massas na rua. Isso não ocorria desde a revolução de 1979.
Produziu-se uma genuína mobilização democrática, que tem à cabeça uma direção burguesa islâmica, que pode leva-la, se triunfar até uma negociação com o imperialismo ianque. Por isso não damos nenhum apoio político à direção encabeçada por Mousavi, mas à mobilização e suas reivindicações democráticas contra o governo de Ahmadinejad. Não à ingerência imperialista e sionista na crise, não a um pacto com o imperialismo e apoio incondicional à luta do povo palestino.
Sabemos que, por enquanto, a ausência de direção revolucionária é um claro obstáculo para que os trabalhadores aproveitem o processo para ir a verdadeira solução, que seria o triunfo de uma revolução operária e popular que terminasse com o regime autoritário dos clérigos xiitas e com o estado burguês e avançassem em direção a um Irã Socialista.
Mas, existe um processo aberto de mobilização popular que pode contribuir para avançar nessa tarefa. A experiência da revolução de 1979, com a greve geral e o surgimento dos Shuras (Conselhos) operários pode ser retomada. Os trabalhadores participaram das mobilizações. Os operários de Khodro, a maior fábrica de automóveis do país fizeram greve de uma hora por turno em apoio à mobilização e reivindicando aumento de salários. E está lançada a idéia de uma possível greve geral. Apoiemos a organização dos trabalhadores, a juventude, o povo pobre para dar uma saída de fundo, que garanta uma democracia para o povo, reestatizar sob o controle operário as empresas privatizadas, independência nacional, controle operário e popular da economia e que isso se conseguirá se os trabalhadores estiverem no poder, em um Irã Socialista.Nesse sentido, chamamos as organizações políticas, sindicais, estudantis, democráticas, antiimperialistas e de esquerda do mundo a apoiar a mobilização popular, dos jovens, mulheres, trabalhadores e demais setores populares para derrotar a fraude, parar a repressão e conquistar eleições livres e democráticas.
Os socialistas revolucionários organizados na UIT-QI consideramos que seria necessário uma Assembléia Constituinte livre e soberana para debater e resolver sobre tudo: as privatizações, o controle do petróleo, que expulsem as multinacionais, acabar com a corrupção por salário, liberdade e autonomia sindical, o direito das mulheres e da juventude, a necessidade de um estado laico com separação da igreja e do estado, que plano e sistema econômico deveria existir diante da crise; nesse marco, os trabalhadores deveriam defender a necessidade de uma República socialista.
Mas, a luta dever ir mais além porque está colocada a batalha por uma verdadeira ruptura com o imperialismo e com os planos de privatizações e ajuste capitalista. A batalha para conquistar uma verdadeira independência nacional. Existe o perigo de que o imperialismo ianque se aproveite dessa situação. Por isso a tarefa é apoiar a mobilização a partir de uma política independente e desde a perspectiva dos trabalhadores, da juventude e do povo iraniano por uma saída de fundo.
UIT-QI (Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional)28 de junho de 2009

tradução: marcus benedito (PA)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Choque de Paes: A 'ordem' é desaparecer com os pobres

Patrick Granja


Nas ruas do Rio de Janeiro segue vigorando o choque de ordem fascista de Eduardo Paes, com suas ações truculentas. Trabalhadores pobres têm suas casas reduzidas a pó, enquanto outros milhares são impedidos de trabalhar. Em junho, a Guarda Municipal iniciou a fase de testes das novas armas "não-letais" compradas por Eduardo Paes para incrementar a repressão.


Aparelhando torturadores


No dia 25 de maio, foram exibidas as novas armas que serão usadas pela Guarda Municipal no "laboratório de combate aos pequenos delitos", como classificou Eduardo Paes. O que inclui trabalhar sem patrão, dormir na rua, ou morar em focos da especulação imobiliária. São pistolas e lançadores de balas de borracha com alcance de 50 metros, pistolas Taser de descargas elétricas e frascos de spray de pimenta.O presidente da Comissão de Segurança da OAB-RJ, advogado José Carlos Tortima, alega que o uso dessas armas pela Guarda Municipal é inconstitucional.— O artigo 144 da Constituição Federal define os órgãos que podem atuar na segurança pública e a Guarda Municipal não está lá. As guardas municipais são apenas para segurança patrimonial. Eles não podem revistar ou prender suspeitos. Apenas podem prender em flagrante, como qualquer cidadão — elucida o advogado, que intera — o equipamento pode ser fatal para um cardíaco que receba o choque ou o alérgico atingido pelo spray de pimenta. A bala de borracha, dependendo de onde atingir a pessoa, também pode matar ou causar danos irreversíveis — alerta.



Trabalhadores roubados


Durante partida realizada no Maracanã no dia 23 de maio, agentes da prefeitura realizaram uma operação nos arredores do estádio para reprimir camelôs, moradores de rua e guardadores de carro. O saldo total de mercadorias roubadas dos trabalhadores foi de 160 latas de cerveja, um carrinho, 18 latas de refrigerantes, 14 garrafas de água mineral, duas mochilas e sete energéticos.No dia 28 de maio, uma operação do "choque de ordem" conjunta com a Secretaria Municipal de Obras, Guarda Municipal, Light, Subprefeitura da Zona Sul e Polícias Civil e Militar, foi à Rocinha e derrubou 48 barracas metálicas usadas como local de trabalho por dezenas de camelôs. Além disso, 644 DVDs, 26 chaveiros, 11 bolsas, três bonecos, um amplificador, um aparelho de DVD e um rádio foram roubados dos trabalhadores.Na manhã do dia 18 de maio na Central do Brasil, camelôs foram duramente reprimidos por agentes da prefeitura que realizaram o "choque de ordem" na região. Barracas, materiais eletrônicos, DVDs, alimentos e roupas foram roubados dos trabalhadores por guardas municipais que participavam da operação.
E assim como os vendedores ambulantes, a população de rua continua sendo perseguida. No dia 29 de maio, 49 pessoas foram recolhidas das ruas do Catete e do Flamengo, 45 adultos, quatro crianças, uma delas um bebê de colo. Estimativas da própria prefeitura calculam que de janeiro a 15 de maio 730 crianças e cerca de 2.400 adultos foram recolhidos nas operações.



Demolições continuam


Como AND publicou em sua última edição, as demolições têm sido outra dor de cabeça para quem mora em bairros pobres como a Rocinha, o Terreirão (Recreio dos bandeirantes), o Chapéu Mangueira, entre outros.Na manhã do dia 19 de maio, agentes da prefeitura, na companhia de PMs e policiais civis, foram à favela Rio das Pedras, zona oeste da cidade, e demoliram dois prédios, cada um com cinco andares e dez apartamentos, quase todos ocupados por famílias.Até agora já foram 148 ações de demolição desde o início do "choque de ordem", 83 somente na região do Pontal, próximo ao Recreio dos Bandeirantes. Muitos moradores estão perdendo seus imóveis e outros lutam para não ter o mesmo destino. Dentre os trabalhadores que moram no bairro e já foram notificados está Flávia Machado. Ela conta que a qualquer momento a liminar que mantém a posse do apartamento pode ser caçada, permitindo sua remoção.— Um belo dia eu acordo às 5h da manhã e vejo um homem com uma arma na laje de um prédio em frente, juntamente com dois guardas municipais. Eu perguntei o que estava acontecendo e ele disse "isso aqui é o choque de ordem e nós vamos demolir tudo". Quando cheguei na rua, me depararei com uma operação de guerra. Mais de 100 pessoas e muitos carros. Polícia Civil, Militar, Guarda Municipal, prefeitura e outros órgãos. Parecia a ditadura militar. Também estavam o secretário de Ordem Pública, o subprefeito da Barra e vários outros engravatados andando atrás deles, todos com ternos que devem valer o preço da minha geladeira. Pessoas que certamente nunca moraram numa casa humilde. Estão dizendo que meu prédio é irregular, mas essa região toda é irregular. E aí como é que faz? Vai tirar todo mundo? Disseram que a prefeitura não ia dar casa para ninguém e que eu fosse morar com a minha mãe, ou senão em um abrigo público — relata Flávia, muito angustiada Elizabete Vieira, de 73 anos, no dia 30 de abril teve seu apartamento na Rua 2W 443, no Pontal, destruído por agentes da prefeitura. Ela conta que não pôde nem tirar todos os seus pertences antes da demolição. — Botaram parte dos meus móveis na calçada e o restante foi destruído. Mas o que mais doeu foi terem sumido com as fotos dos meus sete filhos ainda pequenos. Às vezes eu vasculho os escombros, na esperança de resgatar as imagens. Sinto-me humilhada. Tinha consciência de que só havia documento de posse do terreno. Mas lutaria pela regularização depois. Não precisavam destruí-lo — lamenta a senhora.



E o povo resiste


Já nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia, além dos muros e da unidade "pacificadora" da PM, comerciantes foram notificados pela prefeitura e estão prestes a ter seu local de trabalho destruído. Um dos moradores que lideram a resistência contra o "choque de ordem" e outras medidas fascistas das gerências de turno, é o vigilante André Luiz de 32 anos.— A maioria das pessoas que moram nesses morros da zona Sul, vive do mercado informal, principalmente da praia. O nordestino, quando vem pro Rio de Janeiro, sabe que não tem emprego, mas ele sabe que tem trabalho. E se a Prefeitura está sufocando o trabalho informal, o nordestino vai preferir ficar perto da família a passar fome no Rio de Janeiro. O "choque de ordem" chegou aqui e disse que a maior parte do comércio do morro foi construído em logradouro público, ou seja, calçada. Mas o que é calçada no morro, se nós somos vistos pelo Estado como invasores? Existem pessoas que têm um comércio aqui há 15 anos. A gente exige que as barracas fiquem onde estão. É inadmissível que eles derrubem tudo sem direito a defesa, nem ao menos indenização. Então, juntamente com a defensoria pública, o núcleo de terras, nós estamos tentando fazer o registro de posse, pra que tudo que as pessoas gastaram com aquele imóvel seja ressarcido — conta André.



Fonte: http://www.anovademocracia.com.br/index.php/Choque-de-Paes-A-ordem-e-desaparecer-com-os-pobres.html

domingo, 28 de junho de 2009

As condições da Raposa Serra do Sol

Terça-feira, 24 Março 2009 in 1

by Natália Suzuki





O reconhecimento da terra indígena da Raposa Serra do Sol é uma vitória pra o movimento indígena. Ainda assim, as condições impostas pelo STF podem ter sido um legado negativo para os futuros processos de reconhecimento.

Ao reconhecer a terra indígena Raposa Serra do Sol, situada em Roraima, na semana passada (19), o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu 19 condições que podem criar um cenário preocupante para os índios da região e para futuros casos de demarcação e homologação de terras indígenas.

Uma delas prevê que os índios não precisariam ser consultados pela União caso haja interesse do usufruto das riquezas naturais. Essa determinação é conflitante com as normas da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que o Brasil ratificou. Quando o país aceita as proposições de acordos e tratados internacionais, consequentemente, incorpora na sua legislação as recomendações desses documentos. Entre as normas da OIT, está estabelecido que os índios devem ser consultados antes que seja feita a exploração das riquezas de onde vivem.
Uma outra situação apresentada por uma das condições é a impossibilidade de não revisão de terras demarcadas antes de 1988, quando foi promulgada a Constituição, na qual foram incluídos os direitos indígenas. Existem casos em que a demarcação feita antes de 88 não corresponde fielmente à configuração natural de ocupação dessas comunidades.

Para Ana Valéria Araújo, advogada e coordenadora-executiva do Fundo Brasil de Direitos Humanos, o Supremo Tribunal Federal extrapolou o seu poder e criou leis que deveriam ter sido discutidas no âmbito do poder legislativo. “Neste caso, o Supremo atropelou a competência do Congresso Nacional”, considera. A advogada ressalta que é no Congresso que os diversos setores da sociedade podem debater e defender os seus interesses e a lei representa o resultado dessa discussão. “O STF não foi eleito e ele não foi delegado pela sociedade para legislar. O que aconteceu é grave”, avalia.

Por outro lado, a decisão de reconhecer a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol foi uma inegável vitória para o movimento indígena. Por 30 anos, essas terras foram alvo de disputas violentas entre índios e grandes produtores de arroz.”Há muitos anos lutamos por isso. O Supremo finalmente reconheceu a gente, uma cultura, um povo, vimos que existem leis que funcionam e que podemos contar com as autoridades brasileiras”, afirma Dionito José de Souza, presidente do Conselho Indígena de Roraima.

Na reserva vivem aproximadamente 18 mil indígenas de cinco etnias diferentes: Macuxi, Ingarikó, Taurepang, Wapichana e Patamona . Localizada nas fronteiras com a Venezuela e a Guiana, a área foi demarcada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e homologada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Submetralhadora, pau-de-arara e cremes na USP

Por Lúcia Rodrigues





Logo após ser nomeada para o cargo de reitora da USP, em 2005, pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB), a farmacêutica Suely Vilela Sampaio declarou à imprensa que gastava a maior parte de seu dinheiro com cremes e roupas. À época, ela também confidenciou que pretendia fazer uma cirurgia plástica para ficar mais bonita. Apesar dos comentários fúteis, é direito dela investir no próprio visual.
O lamentável é que as preocupações da reitora da universidade mais importante da América Latina não se estendam à instituição que dirige. Suely Vilela acaba de cravar em seu currículo a pecha de reitora que permitiu que PM transformasse a USP em uma praça de guerra.
É claro que ela não tomou a decisão sozinha, o governador José Serra (PSDB) deu o aval para que a especialista em animais venenosos chamasse a PM para sitiar a universidade, com policias armados, inclusive, de submetralhadoras.
Por absoluta falta de habilidade, a reitora Suely Vilela transformou reivindicações trabalhistas em caso de polícia. A prática é corriqueira em regimes ditatoriais, o próprio presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, sentiu na pele o peso da repressão quando comandava os metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.
Na USP, assim como nas greves do ABC dos anos 70, a polícia agrediu e prendeu manifestantes. A imprensa também aproveita para demonizar lideranças do movimento sindical uspiano, assim como fez há 30 anos com Lula.
Claudionor Brandão, diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), demitido pela reitora em função de sua atuação sindical, é a bola da vez. Foi transformado pela mídia em uma espécie de Nero da USP.
Anos de chumbo
Desde 1968, quando os tanques do Exército invadiram a Cidade Universitária para prender opositores do regime, não se via cenas de barbárie como as registradas no final da tarde de terça-feira, dia 09 de junho.
Ao colocar a PM no campus, a reitora Suely Vilela deu sinal verde para a repressão agir. O ambiente do conhecimento, forçadamente, teve de ceder lugar ao armamento do choque: bombas, tiros de borracha, cassetetes, escudos e vôos rasantes dos helicópteros militares. As imagens da selvageria praticada pela Polícia Militar, e que percorreram o mundo, falam por si.
No prédio da reitoria, recolhida em seu gabinete, Suely Vilela, assistiu a tudo pela TV, confortavelmente reclinada em sua poltrona. A tranqüilidade da reitora, no entanto, pode estar com os dias contados. O ataque militar gerou revolta e consternação na comunidade acadêmica. Até mesmo professores que não haviam aderido à greve passaram a criticá-la abertamente.
“Fora Suely” e “fora PM” são as palavras mais ouvidas no campus. A Adusp (Associação dos Docentes da USP) já protocolou a exigência na reitoria. Acuada, a reitora escreveu artigo para a imprensa tentando justificar o injustificável. Segue na linha da intervenção do governador José Serra, que considerou a ação da PM correta.
A primeira mulher a assumir o cargo mais importante da USP entra para o rol de persona non grata no círculo daqueles que defendem o diálogo ao invés do açoite.
Pau-de-arara
Uma funcionária do comando de greve, que prefere não ter o nome revelado com medo de represálias, afirma que as provocações dos militares aos líderes do movimento têm sido rotineiras. Se a liderança for mulher as provocações se tornam mais pesadas. “Fazem gestos obscenos com a língua”, conta a trabalhadora.
Na manhã de terça-feira, dia 09, enquanto ela e mais duas colegas distribuíam panfletos do sindicato, nos fundos da reitoria, um grupo de policiais fazia comentários provocativos em voz alta. Um perguntava: “essa aí (manifestante) dá pra pendurar (no pau-de-arara), não dá?” Ao que o outro prontamente respondeu: “ô se dá”. Os demais militares riam da provocação feita pelos colegas de farda.
A provocação dos militares é uma alusão ao pau-de-arara, instrumento de tortura empregado pela repressão contra presos políticos durante a ditadura e vigente ainda hoje em delegacias e presídios, para castigar prisioneiros comuns.
Os resquícios do golpe de 64 estão presentes nas práticas policiais. O combate à guerrilha em São Paulo, nos anos 70, é destacado como um grande feito, no sítio da PM paulista na internet, em junho de 2009. O texto militar informa que as principais atividades da tropa de choque estão relacionadas “ao controle de distúrbios civis e à contra guerrilha rural e urbana”.
A mentalidade repressiva da polícia contra os movimentos sociais, infelizmente, não é coisa do passado. Isso talvez explique a presença de armamento letal como pistolas, revólveres e submetralhadoras dentro campus universitário. Funcionários, estudantes e professores ainda são vistos pelos militares, como inimigos internos.
Questionado pela reportagem da Caros Amigos sobre a presença de um sargento portando uma submetralhadora em frente ao Cepeusp (Centro de Práticas Esportivas da USP), o tenente-coronel Cláudio Miguel Marques Longo, comandante da operação, silenciou. Ao ver a foto publicada no jornal da Adusp, justificou afirmando que o policial voltava de um assalto a banco.
As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não estão necessariamente de acordo com os parâmetros editoriais da Caros Amigos.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

É impossível limpar a imagem do Senado!

Nota da CST encaminhada à Executiva Nacional do PSOL
Os fatos expondo os inúmeros escândalos no Senado, entre os quais a nomeação de sete parentes de Sarney via atos secretos, exigem que o PSOL apresente de forma urgente, não só uma contundente denúncia, como também uma política global que ajude a aprofundar o questionamento dessa instituição e do regime do qual é o retrato mais fiel. O PSOL não pode se limitar à impossível tarefa de “limpar a imagem do Senado”, já que este representa a verdadeira natureza de como funciona esta falsa democracia do poder econômico e da corrupção.
A política do partido precisa ter como norte transformar a indignação passiva da população em participação e mobilização, como única forma de impor uma saída do ponto de vista dos interesses da maioria da população trabalhadora. Está errada a lógica de reduzir a discussão a uma “reforma política” e ao voto em lista, como se este Congresso pudesse se autoreformar! A palavra de ordem “Fora Sarney” é uma necessidade da situação que envolve o Presidente do Senado Federal. Contudo, é insuficiente. Pois, no caso hipotético que Sarney caísse, estaria resolvido o problema? Voltaria Calheiros? Collor? Tião Viana? Cabe ao PSOL denunciar que este Senado, além de corrupto, é uma excrescência oligárquica e antidemocrática: 300 mil eleitores elegem a mesma quantidade de senadores que um estado de 28 milhões! É fundamental levantar o conjunto de medidas alternativas, as quais fazem parte do programa do partido.
O PSOL denuncia a cumplicidade de Lula que mais uma vez saiu a público para defender a bandidagem instalada em Brasília. Desta vez, apoiando e “blindando” Sarney, representante do que há de pior das oligarquias que vivem da fraude, do roubo e do crime contra o povo. É inaceitável que o Presidente da República utilize seu alto índice de popularidade para justificar e fazer com que a população “engula” toda essa avalanche de fatos que desnudam a forma de fazer política de sua base aliada.
O PSOL deve estar em sintonia com o sentimento da população, que ainda de forma passiva e sem mobilização, rejeita aos políticos pela prática sistemática de toda sorte de ilícitos contra os cofres públicos, e se sente impotente frente a tanta impunidade. Nossas propostas devem ser uma alternativa para acabar com os privilégios dessa máfia instalada nos poderes da nação.
Chamamos à população a se mobilizar pelo Fora Sarney e todos os corruptos! A impor o fim do Senado, para ser substituído não por esta Câmara de Deputados, igualmente corrupta, mas por uma Câmara Única Proporcional, através de eleições com financiamento público limitado, exclusivo e controlado; a revogação dos mandatos daqueles que não cumprem com seus compromissos ou se utilizam do cargo em benefício pessoal; a abertura dos sigilos, fiscal, telefônico e bancário de todos os cargos políticos eleitos até 5 anos após o mandato para saber se enriqueceram durante a função pública. Por que 580 parlamentares legislam sobre o salário de mais de 100 milhões de brasileiros e estes não podem decidir o salário de seus supostos “representantes” sendo que é do bolso do povo que sai o dinheiro para sustentá-los? Vamos defender em alto e bom som que os salários dos parlamentares e cargos eletivos sejam fixados pela população através de plebiscito. Essas são as medidas que devem estar presentes em nossa resposta à situação, as quais, com certeza, serão bem compreendidas pela população.
Babá (Executiva Nacional do PSOL e ex-deputado federal)

Fonte: http://www.cstpsol.com/
Data de Publicação: 21/6/2009 22:45:15

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ANEL - Congresso de Estudantes aprova criação de nova entidade estudantil



Cerca de duas mil pessoas estiveram no campus da UFRJ no Fundão, no Rio de Janeiro neste feriado, 11 a 14 de junho. Elas participaram do Congresso Nacional de Estudantes, um congresso estudantil com representantes de todo o país. Durante o evento, os principais assuntos, polêmicas e rumos do movimento foram pauta dos debates. Também foi discutido um calendário nacional de lutas da juventude.
ANEL - A principal proposta, aprovada por ampla maioria, foi a fundação de uma nova entidade alternativa à UNE (União Nacional dos Estudantes), que se chamará Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL). Os estudantes aprovaram a fundação da nova entidade, por discordarem dos rumos tomados pela UNE, entidade atrelada ao governo, considerada “marionete do governo Lula, defendendo os planos neoliberais dentro das escolas e universidades" pela estudante Clara, do DCE da UFRJ, na abertura do congresso.
Entre os dois mil participantes, foram inscritos 1.350 delegados eleitos em universidades e escolas secundaristas de todas as regiões, além de 419 observadores e 199 pessoas como apoio, convidados e palestrantes. Ao todo, 16 teses foram apresentadas.
O Congresso teve a participação, entre outros convidados, do intelectual Plínio de Arruda Sampaio e de Paulo de Tarso Venceslau, um dos organizadores do congresso da UNE de 1968, que terminou com a prisão de 800 estudantes pela ditadura.
A Luta na USP - Gabriel Cassoni, do DCE da USP, falou logo em seguida sobre a mobilização que está enfrentando a tropa de choque na USP. “Em 2007 ocupamos a reitoria da USP e aquele movimento se espalhou por todo o país. Neste ano, novamente a USP se levanta e a tropa de choque invadiu a universidade como não ocorria há mais de 30 anos, desde a ditadura. Isso foi não só para calar a nossa luta, mas calar a luta do movimento estudantil nacional, para que não ocorra o que ocorreu em 2007”, disse. Ele finalizou com o chamado: “Façamos como em 2007, a luta da USP é a luta de todos nós”.
José Vitório Zago falou em nome do Andes, ressaltando o papel da universidade nas mudanças da sociedade: “É preciso que a universidade seja uma alavanca, um instrumento de libertação da sociedade”. E apontou a direção desta transformação: “Acabar com o capitalismo é a tarefa para salvar a humanidade”.
Estudantes e trabalhadores - A importância da unidade das lutas dos estudantes e da classe trabalhadora esteve presente em todo o evento. Hebert Claros, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, falou sobre os efeitos da crise sobre os trabalhadores e a juventude e sobre a necessidade de unir esses dois setores nas mobilizações. Falou sobre os jovens que também são trabalhadores: “sabemos da dificuldade do jovem para arrumar emprego por não ter experiência, sabemos a precarização do salário que é pago ao trabalhador jovem. Cerca de 70% da mão-de-obra da Embraer é jovem. São jovens já superexplorados, que já têm tendinite e problemas na coluna. E é assim em outras fábricas. Boa parte da nova diretoria do sindicato é jovem e reflete esta realidade do mercado de trabalho”. Ele falou ainda sobre a campanha pela reestatização da Embraer e sobre o apoio à mobilização da USP, afirmando que ambas as lutas são de todos, trabalhadores e juventude.
Zé Maria falou em nome da Conlutas, apontando o problema da crise econômica, suas consequências e as tarefas colocadas diante dela. “É um desafio para a juventude brasileira desencadear um processo de lutas, junto com os trabalhadores, não só contra as consequências desta crise, mas pelo enterro da sociedade capitalista”. Ele também falou sobre a proposta de fundação de uma nova entidade, que será debatida durante o Congresso: “Aqui os estudantes estão discutindo a construção de uma entidade para reunir a juventude brasileira e unir a luta da juventude á da classe trabalhadora deste país. E este desafio é enorme, pois os estudantes e os trabalhadores devem fazer mais do que aqueles que lutavam há anos atrás. Faço um chamado para que possamos fazer deste congresso um momento importangte de construção dessa organização e, mais que isso, de construção da unidade das lutas sempre que a gente enfrente as mesmas causas, uma unidade que construa uma nova sociedade, uma sociedade socialista”, finalizou.
Apoio aos estudantes do Haiti - A Conlutas distribiu um panfleto no Congresso vinculando as lutas dos estudantes da USP e do Haiti que recentemente foram reprimidos pelas tropas da ONU ferindo vários deles. A Conlutas fez um chamado para que o plenário aprovasse o apoio a essas lutas.

Para maiores informações:Leandro Soto – (11) – 8822 3234


http://www.congressodeestudantes.org.br/


Fontes: Diego Cruz e Beatriz Santana

terça-feira, 16 de junho de 2009

Juventude valoriza mais o trabalho do que a educação, diz pesquisa


Pesquisa realizada pelo Ibase e pelo Instituto Pólis mostra juventude sulamericana mais preocupada com trabalho do que com educação. A maioria dos entrevistados no Brasil considera que o mais importante para os jovens é “ter mais oportunidades de trabalho” (61%) opinião partilhada igualmente por jovens e adultos. Mais de 70% discordam da afirmação “os jovens devem apenas estudar e não trabalhar”.
Redação - Carta Maior
Como a juventude é vista nos diferentes países da América do Sul? Como se posicionam jovens e adultos sulamericanos sobre temas morais, éticos e políticos? Quais as principais demandas e problemas dos jovens na região? Estas e outras perguntas guiaram a pesquisa “Juventude e Integração Sulamericana: diálogos para construir a democracia regional”, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e pelo Instituto Pólis, e que ouviu, em seis países – Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Paraguai – 14 mil pessoas no segundo semestre de 2008. O estudo é o primeiro a comparar gerações na América do Sul (50% dos entrevistados foram jovens de 18 a 29 anos e 50% adultos de 30 a 60 anos). Nos seis países pesquisados, os jovens compartilham com os adultos opiniões e valores semelhantes quanto a temas morais e éticos, como a legalização do aborto (as gerações pensam de modo parecido, em geral contra), a valorização do esforço pessoal para se melhorar de vida e a visão da corrupção como principal ameaça à democracia.As gerações também se aproximam na hora de definir o que é prioridade para a juventude: jovens e adultos acreditam que o mais importante para os jovens hoje é “ter mais oportunidade de trabalho”, embora os adultos acreditem mais nas credenciais da educação do que os jovens (que valorizam mais a experiência e menos a educação como fator de ingresso no mercado de trabalho). Alguns dos principais dados da pesquisa, relativos à juventude brasileira, são os seguintes:Dos jovens, 43% alcançaram o ensino médio (têm o ensino médio completo e/ou incompleto); este índice cai para 16% entre os adultos. É alta a porcentagem (41%) dos jovens que não alcançam sequer o ensino médio. E apenas 14,5% dos jovens chegam à Universidade.Dos entrevistados (jovens e adultos somados) brasileiros que têm formação superior, 85% usam a Internet; dos que têm o ensino médio, são 56% caindo para apenas 12% entre os que têm a formação primária.A maioria dos entrevistados no Brasil considera que o mais importante para os jovens é “ter mais oportunidades de trabalho” (61%) opinião partilhada igualmente por jovens e adultos. Mais de 70% discordam da afirmação “os jovens devem apenas estudar e não trabalhar”. O “desinteresse do próprio jovem” é apontado pelos entrevistados como a principal dificuldade para estudar (36%), seguida por falta de dinheiro para transporte e outros gastos (27%).Indagados sobre o maior problema da juventude, a violência aparece em primeiro lugar, citada por quase metade dos entrevistados (jovens e adultos), a baixa qualidade da educação (citada por mais de um terço) e as dificuldades relativas a emprego (citada por pouco menos de um terço). A pobreza também é percebida como um dos maiores problemas, sobretudo entre os jovens com menor escolaridade. Para a grande maioria dos entrevistados no Brasil (jovens e adultos), os jovens são considerados mais “consumistas”, mais “perigosos”, mais “violentos” e mais “individualistas” que os adultos; por outro lado, são considerados mais “criativos” e “idealistas”.Para mudar a vida pessoal jovens e adultos (somados) apostam nas intervenções ligadas à esfera privada: 44% do total de pesquisados apostam no próprio esforço pessoal, enquanto outros 27% contam com o apoio familiar. Menos de um quarto da mostra assinala opções mais sistêmicas ou estruturais (soluções econômicas e políticas governamentais).Mais da metade (55%) dos pesquisados no Brasil indicaram, como fator de entrave à democracia no século XXI, a corrupção entre os políticos. Uma outra parcela, quase correspondente à metade dos entrevistados (47%), contudo, localiza na estrutura econômica e social, representada pela desigualdade entre ricos e pobres, a principal ameaça à democracia na atualidade.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Projeto da reforma tributária destrói Seguridade Social

Henrique Júdice Magalhães


Tramitando desde março do ano passado na Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 233 (reforma tributária) teve sua aprovação elencada na nova versão do Plano Diretor do Mercado de Capitais (PDMC 2008) como uma das cinco prioridades de seu comitê executivo.É fácil entender por que. Embora o documento recomende "alguns aperfeiçoamentos" na PEC 233, ela realiza as duas grandes aspirações dos segmentos — notadamente o financeiro — econômicos representados no PDMC: amplia os privilégios fiscais da especulação e da usura e mina os alicerces do já precário sistema brasileiro de Seguridade Social.
Legalizando o roubo
A PEC 233 começa por legalizar um roubo que já existe. A previsão constitucional — na prática, jamais respeitada — de que a Saúde, a Previdência e a Assistência Social tenham um orçamento próprio deixa de existir. As contribuições hoje pagas pelas empresas sobre o faturamento (Cofins) e lucro líquido (CSLL), hoje fontes de recursos desse orçamento hipotético, são extintas.Ao mesmo tempo, a desvinculação (eufemismo para desvio) de recursos destinados à Seguridade Social tem seu teto constitucional alterado dos atuais 20% para 36%.A maior ameaça à Seguridade Social, no entanto, não está nessas medidas, mas nas alterações que a PEC 233 introduz na correlação de forças hoje existente na questão previdenciária.
Tarefa pendente
Das medidas prescritas pelo capital transnacional monopolista ao Brasil a partir de 1994, apenas uma não se efetivou: o desmanche e privatização da Previdência. Dos países latino-americanos assolados pelo saque dos monopólios transnacionais na década de 90, apenas um não entregou completamente sua previdência: o Brasil.Embora tenha jogado na penúria — mediante sucessivas medidas de precarização de sua cobertura nos períodos FHC e Lula — aqueles que ela deveria amparar, o sistema financeiro internacional não conseguiu destruir suas linhas mestras (como a equiparação do piso ao salário mínimo) nem assumir diretamente a gestão de seus recursos. De maneira surpreendente, o Congresso rejeitou seguidas vezes essa pretensão.Por que?
A galinha dos ovos de ouro
Parte da explicação reside no medo da ira popular. A Seguridade Social foi o âmbito no qual se deram as únicas conquistas populares efetivas da Constituição de 88 e a população que tão arduamente lutara por elas durante décadas não estava disposta a perdê-las no preciso momento em que ela se tornava mais vital por força dos processos de precarização do trabalho que passavam a ser praticados em larga escala, aumentando o número de desempregados e doentes.Esse, porém, não foi o único fator que impediu a oligarquia financeira de se apossar da Previdência.A economia brasileira — principalmente nos pequenos municípios e nas áreas rurais — é tão dependente dos aposentados e pensionistas que unidades da federação e setores econômicos inteiros quebrariam se sua renda sofresse uma redução drástica. Levantamentos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) mostram que os pagamentos do INSS são a principal fonte de recursos federais em dois terços dos municípios brasileiros.Para prefeituras, governos estaduais e para toda a indústria e o comércio voltados ao mercado interno (o que abrange expressivos segmentos da burguesia burocrática), portanto, a Previdência é uma galinha dos ovos de ouro que não interessa matar. E assim como ocorre para a população trabalhadora, a importância do dinheiro do INSS para esse comércio e essa indústria é também substancialmente ampliada em momentos de crise: se aumenta o número de desempregados e subempregados, o comércio passa a depender ainda mais dos aposentados e pensionistas e de sua renda — parca, mas certa e comprovável — para poder vender a crédito, por exemplo.
A quem interessa
O desmanche da Previdência, em resumo, só interessa a bancos, corretoras e fundos de pensão — exatamente os segmentos que lideram o PDMC. E, sozinhos, os dirigentes e lobistas do setor financeiro sabem que não têm força para impô-lo.Por isso, adotam como estratégia jogar todo o custo da Previdência nos ombros dos trabalhadores e dos segmentos econômicos recalcitrantes a sua destruição (indústria e comércio voltados ao mercado interno), visando torná-la desproporcionalmente onerosa e, por consequência, pouco interessante para quem hoje a sustenta politicamente.Esse é o aspecto mais perverso da PEC 233: além de deixar a Seguridade Social quase sem fontes próprias de recursos, ela vincula seu custeio a repasses de arrecadação de impostos sobre renda, produtos industrializados e operações com mercadorias e serviços. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz, na exposição de motivos da proposta, que não faz diferença financiar a Seguridade Social via CSLL ou via Imposto de Renda. Para as empresas que pagam ambos os tributos, talvez não faça mesmo. O que Mantega omite é que bolsas de valores e de mercadorias, fundos de pensão e associações de poupança e empréstimo — entidades hoje sujeitas à CSLL — são isentas de IR.
Transferindo a conta
Em boa parte, o preço desse favor seria pago pelo comércio e pela indústria voltados ao mercado interno, através do IPI e do imposto sobre operações com bens e serviços que a PEC 233 institui. O setor financeiro conseguiria, com isso, desonerar-se da CSLL e impor a industriais e comerciantes suas pretensões de desmontar a Previdência, cujo custo a tornaria desinteressante para eles.No que se refere aos estados e municípios, adota-se a mesma estratégia para transformá-los de aliados em adversários da Seguridade Social: ao atrelar seu custeio à arrecadação do IPI (que destina-se também a esses entes federativos), a PEC 233 deduz o que for gasto com ela da base de cálculo dos repasses governos e prefeituras. Assim, entes federativos que hoje dependem dos pagamentos do INSS passariam a depender de sua redução.Mas a conta seria paga, sobretudo, pela população trabalhadora. Vinculando-se o financiamento da Previdência ao IR, os trabalhadores com carteira assinada sujeitos a ele (ou seja, todos os que ganham mais de R$ 1.434,58 por mês) passariam a contribuir para a Seguridade Social duas vezes sobre a mesma base (os rendimentos de seu trabalho), uma vez que já descontam mensalmente para o INSS. No caso dos autônomos, a incidência seria tripla: além do IR e da contribuição ao INSS, eles teriam que pagar também o imposto sobre prestação de serviços.