quarta-feira, 29 de julho de 2009

Vamos preparar grande dia de manifestações e paralisações em todo o país


14 de agosto



Em reunião realizada na quarta feira passada (8/07), as Centrais Sindicais e os movimentos sociais mais importantes do país decidiram confirmar o dia 14 de agosto como um Dia Nacional Unificado de Lutas. Será a continuação da jornada realizada em 30 de março passado. As bandeiras fundamentais que serão o mote desta jornada são: Defesa do Emprego, Redução da Jornada de Trabalho Sem Redução Salarial, Defesa dos Salários e dos Direitos dos Trabalhadores, além de outras reivindicações que comporão as bandeiras definidas unitariamente para embalar este processo de mobilização.
Como não houve consenso em definir este protesto centralmente como um dia de paralisação nacional, serão realizadas manifestações de rua e também de paralisações, de acordo com a definição de cada uma das centrais e das entidades de base, a partir da opinião de cada uma delas e da disposição de luta dos trabalhadores em suas bases. O caráter unitário será marcado pelas manifestações conjuntas a serem realizadas nas capitais dos estados.
A Conlutas produzirá seu próprio material de convocação e divulgação do Dia Nacional Unificado de Lutas, na medida em que não houve acordo para a confecção de uma convocatória comum.
A disputa política em torno ao caráter dos protestos
As duas divergências que surgiram na preparação desta jornada (paralisações e manifestações ou apenas manifestações de rua, e a divergência sobre o conteúdo da convocatória) refletem a mesma disputa sobre o caráter destes protestos que já identificamos em 30 de março. A Conlutas e outros setores combativos do movimento, como a Intersindical, etc, defendemos um processo de lutas que além de enfrentar os capitalistas e sua ofensiva para descarregar nas costas dos trabalhadores o peso da crise, enfrente também o governo Lula e governos estaduais que tem sido aliados fundamentais dos banqueiros e patrões em todo este processo.
A maioria das demais Centrais Sindicais, presas aos seus compromissos com o governo, rejeitam essa linha e tentam limitar a nossa jornada a um protesto contra a ganância dos patrões (com o que estamos 100% de acordo), mas isentando o governo de sua responsabilidade ou mesmo apoiando-o.
Apesar das diferenças existentes entre as organizações do movimento, a unidade de ação para realizarmos um grande protesto dia 14 de agosto é fundamental para este momento da luta dos trabalhadores. Por isto é obrigação e tarefa primeira de todos nós impulsionarmos toda mobilização possível nesta data.
Mas identificar as diferenças que vem ocorrendo no movimento é importante para que não hesitemos em difundir todas as nossas opiniões e bandeiras, seja na preparação desta jornada, seja nas atividades do próprio dia 14. É necessário e é legitimo que o façamos, da mesma forma que é legitimo que as demais organizações também o façam.
Fortalecer as campanhas salariais e as lutas em curso é parte da preparação do dia 14
Estamos no inicio da campanha salarial dos metalúrgicos, dos petroleiros, correios, bancários, ao mesmo tempo em que temos a luta do funcionalismo federal (em particular a greve da previdência), as mobilizações dos servidores municipais, as lutas dos diversos movimentos populares, como a do MTST, etc. Precisamos cercar de solidariedade essas e impulsionar as que for possível.
Essas mobilizações que estão ocorrendo precisam culminar em uma grande mobilização nacional dia 14 de agosto. É muito importante que busquemos organizar (a partir das campanhas salariais, a partir das lutas dos municipários, a partir das lutas dos servidores federais e estaduais, dos movimentos populares, dos estudantes, etc) greves e paralisações em todos o país onde houver real disposição dos trabalhadores para tal. As mobilizações de rua, passeatas são importantes e devemos fortalecê-las, mas esse não pode ser o limite das mobilizações do dia 14.
Construir as atividades e fortalecer a presença da Conlutas
Devemos ter a iniciativa de buscar as demais Centrais Sindicais, buscar todos os sindicatos, os movimentos sociais em cada estado para discutir a organização das atividades do dia 14 de agosto. Devemos ser ousados e buscar imprimir uma dinâmica mais forte às atividades, nos apoiando nas mobilizações existentes.
Ao buscar as demais Centrais e entidades para organizarmos conjuntamente as atividades nos estados não devemos nos descuidar do conteúdo dos materiais de convocação. Não podemos trabalhar com o material assinado nacionalmente por elas. Onde não for possível um texto comum, onde entre também a nossa política em relação ao governo e a nossa visão da crise econômica, devemos ter nosso próprio material.
Levantar as bandeiras da Conlutas - A mobilização do dia 14 conta com um conjunto de bandeiras unitárias. No entanto, isso não significa que deixaremos de lado as demais bandeiras que compõem a plataforma da Conlutas. A começar pela exigência dirigida ao governo Lula, para que ele pare de ajudar as empresas e bancos, frente aos efeitos da crise, e garanta o emprego dos trabalhadores, editando uma lei que proíba as demissões.
Jornal especial da Conlutas – A Conlutas produzirá um jornal especial para convocar o Dia Nacional Unificado de Lutas e para a difundir suas opiniões e bandeiras. Este jornal deverá estar pronto e impresso na reunião da Coordenação Nacional que acontecerá no Rio de Janeiro, das 25 e 26 de julho.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A UNE FOMOS NÓS, NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ!


O congresso da UNE na semana passada começou e acabou no mesmo dia. Após a palavra do primeiro orador, não havia mais o que discutir.Logo na abertura, acompanhado de sua candidata à sucessão, o Presidente da República - que havia mandado o Estado pagar a conta do evento - deu o tom e a linha política, defendendo um programa de seu governo (PROUNI) que deveria ser objeto de um grande debate num congresso de estudantes, já que repassa verbas públicas para o ensino privado, os "tubarões do ensino", no antigo jargão da UNE.
Mas como criticar o programa, se o Ministério da Educação entrou com 600 mil reais, na "vaquinha" estatal para organizar o congresso, cuja prestação de contas, como a das famosas carteirinhas, ninguém verá. A UNE, que já foi uma escola de política, se transformou numa escola de políticos, no pior sentido da palavra.
O importante para os organizadores do "congresso", na verdade, foi o ato público de louvação a Lula e apoio à sua candidata em 2010. O resto é a matemática de contar os crachás de delegados levados pela máquina e eleger quem vai exercer a presidência da entidade, meio caminho andado para a Câmara dos Deputados.
Não faltou também uma passeata sobre o tema do petróleo. Não com o discurso combativo dos anos cinqüenta do século passado, em que a UNE foi um dos baluartes da campanha "O PETRÓLEO É NOSSO". A manifestação chapa branca foi contra a CPI da Petrobrás e não pela reestatização da empresa, como lutam unitariamente as forças progressistas, em torno da atual campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO.
Também, pudera. A maioria da direção da UNE é do mesmo partido que dirige a ANP, a agência que opera a privatização e a entrega do nosso petróleo às multinacionais.
Mas a juventude brasileira não pode entregar os pontos. Não pode desistir de resgatar a independência e a tradição de luta da UNE, rendendo-se aos que a aparelham e envergonham a sua história. Também não se trata de criar uma UNE paralela, um outro aparelho partidário, outra forma de se render à maioria eventual que hoje desvia a entidade de seus objetivos.
A juventude brasileira que ainda se rebela contra a injustiça e a iniqüidade precisa construir um amplo MOVIMENTO PELA RECONSTRUÇÃO DA UNE que, a partir das escolas e dos Centros Acadêmicos, tome nas mãos as rédeas do movimento estudantil e saia às ruas de todas as cidades brasileiras, voltando a gritar bem alto o mais histórico refrão da entidade:A UNE SOMOS NÓS, NOSSA FORÇA, NOSSA VOZ!
Ivan Pinheiro - Secretário Geral do PCB

sexta-feira, 17 de julho de 2009

PARA LULA, BOM MESMO É O ESTADO DO BEM-ESTAR SOCIAL

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Graças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sabemos agora qual foi o maior benefício que a Revolução Bolchevique trouxe à humanidade: "quem mais ganhou com a revolução de 17 foi a Europa Ocidental porque, com o medo do comunismo, criou o Estado do bem-estar social".
Foi isto que S. Exa. afirmou nesta quinta-feira, discursando no 51º congresso da União Nacional dos Estudantes. Nem sequer o papel fundamental que a URSS desempenhou na derrota do nazismo parece ser relevante, na opinião de Lula.Ele se coloca não ao lado dos que fizeram a revolução e tentaram materializar um estado dos trabalhadores, mas sim na trincheira dos países capitalistas que, para evitar a propagação dos ideais revolucionários, trataram de melhorar um pouco a vida dos seus cidadãos.E, para que não deixar dúvidas quanto a seu desprezo pelos valores da esquerda, Lula disse também que "para uma pessoa pobre ter uma caixa de lápis é mais importante do que uma revolução".Ele se mostrou coerente com posicionamentos anteriores, como o de que não era esquerdista, mas sim torneiro-mecânico; e o de que, quando um sexuagenário continua esquerdista, é porque tem um parafuso solto na cabeça.Está numa fase de dizer inconveniências (por que ofender os pobres pizzaiolos, comparando-os aos senadores?) e renegar seu passado.Já descobriu até que é amigo do Collor desde criancinha, tanto que ambos já superaram uma pequena desavença de 1989, quando o Fernandinho andou falando demais sobre as puladas de cerca do Luizinho. Todos os amigos têm uma briguinha de vez em quando...Então, ficamos entendidos: os bons lulistas agora têm de defender com unhas e dentes o Estado do bem-estar social, seja na versão que o capitalismo selvagem (ôps, eu queria dizer globalizado...) varreu da Europa, seja na adaptação brasileira, com o Bolsa-Família garantindo caixas de lápis às pessoas pobres.Ah, uma última recomendação: esqueçam Karl Marx. O teórico inspirador do lulismo não é o velho barbudo, nem tampouco o economista e sociólogo sueco Karl Gunnar Myrdal, tido como o pai do Estado do bem-estar social.As posições que Lula tem rusticamente professado, tanto em economia quanto em política, aproximam-no mais de Edouard Bernstein, aquele que acreditava numa melhora constante da situação dos trabalhadores sob o capitalismo, tornando desnecessária uma ruptura revolucionária.Quanto a nós, velhos ranzinzas, continuaremos seguindo Rosa Luxemburgo que, no seu clássico Reforma ou Revolução, pulverizou as falácias oportunistas de Bernstein.

Postado por Celso Lungaretti às 11:38 AM

Fonte: http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Todo apoio à luta do povo hondurenho contra os golpistas!

Nota da CST
Fonte: CST/PSOL
O povo hondurenho começou a se mobilizar e está saindo às ruas repudiando o golpe militar. Sua luta é nossa luta, a que enfrenta nas ruas os golpistas, desafiando o toque de recolher.


A Corrente Socialista dos Trabalhadores/PSOL apóia esta justa luta e a convocatória a uma greve geral contra o golpe de estado. Será a mobilização e participação operária e popular a garantia para derrotar os golpistas, como o fez o povo venezuelano em abril de 2002, e possibilitará que a decisão da maioria da população seja respeitada, possibilitando punir os golpistas e repressores do povo hondurenho e efetivar a consulta popular e a convocatória a uma Assembléia Constituinte.


Com o golpe de estado, a oligarquia, os mandos militares, a hierarquia da igreja católica e os chefes das instituições do regime, violentam suas próprias leis.


O governo Zelaya, de origem liberal, tinha decidido se incorporar a ALBA, encabeçada por Venezuela. Com esta atitude, buscava apoio em setores populares, se apresentando com posições “socialistas” e com algumas críticas aos EUA, mas da mesma forma que os governos da Venezuela ou Bolívia, não tinham como projeto abandonar o capitalismo. Tinha atritos com o imperialismo e tentava pressionar para negociar acordos comerciais em melhores condições. Mas nem isto podia ser aceito pela velha oligarquia e burguesia hondurenha, eterna aliada do imperialismo. Devemos lembrar que Honduras foi um país que serviu de base para a atuação da “contra”, guerrilha de paramilitares financiada pelos EUA, que atuou na década de 80 contra Nicarágua.

Os socialistas revolucionários não apoiamos politicamente o governo de Manuel Zelaya e defendemos que uma verdadeira independência nacional e o progresso para os povos somente pode vir através da expropriação do latifúndio e da burguesia, no caminho de construir um verdadeiro socialismo. Mas, frente este golpe de estado, não temos dúvidas em repudiá-lo categoricamente a par que exigimos que seja respeitado o governo de Zelaya eleito pelo povo de Honduras.


Alertamos que instituições imperialistas como a ONU e as que estão ao seu serviço, como a OEA, assim como os governos de Obama e da União Européia, entre outros, que tem se pronunciado contra o golpe, procuram negociar com os golpistas o retorno de Zelaya, mas condicionado a que o presidente eleito ponha fim às mobilizações e desista de convocar à Assembléia Constituinte, o que significa impedir que o povo hondurenho possa se expressar e decidir os rumos de seu país.


É necessário constituir Comitês de Solidariedade com o povo hondurenho, ou os organismos necessários para coordenar e impulsionar de forma unitária todas as atividades em apoio à luta contra o golpe. È hora de atuar como um único punho, com uma única voz para derrotar os golpistas, verdugos do nosso povo irmão de Honduras.


Na América Latina e no mundo todo, devemos nos somar a esta mobilização. Apelamos às organizações sindicais, camponesas, indígenas, estudantis e populares, assim como às organizações políticas democráticas, antiimperialistas e de esquerda a nos mobilizar massivamente em cada país, frente às embaixadas e consulados, para expressar nosso apoio à luta pela derrota do golpe militar.


-Abaixo o Golpe militar de Honduras! Nenhuma negociação com os golpistas!


-Solidariedade internacional com a luta do povo hondurenho, pelo fim da ditadura, a punição aos golpistas e a convocatória à Assembléia Constituinte!


Corrente Socialista dos Trabalhadores-CST/PSOL


02/07/09

sábado, 4 de julho de 2009

Irã: O que há por tras dos protestos...

No Irã, milhões de pessoas se mobilizaram nas ruas, especialmente na capital, Teerã, para repudiar a fraude eleitoral e exigir eleições livres e democráticas. Milhões tem enfrentado a repressão selvagem do governo de Ahmadinejad, que deixou dezenas de mortos, centenas de feridos e presos.
Os socialistas revolucionários chamamos aos povos do mundo a se solidarizar com o povo iraniano nas ruas e a repudiar a repressão assassina do governo e do regime iraniano. Pode confundir o fato que o governo iraniano e seu líder Ahmadinejad aparecem mundialmente denunciando o imperialismo ianque e inglês como instigadores das mobilizações através da CIA.
O imperialismo pretende se assumir como direção das poderosas mobilizações de milhões de iranianos que exigem respeito ao voto popular, violentado pelo governo iraniano numa fraude escandalosa. Isto tem sido reconhecido até pelas autoridades eleitorais quando afirmaram que ao menos em 25% dos locais de votação os votos superam a quantidade de votantes. Isto é parte da campanha que o imperialismo desenvolve para quebrar a independência e a soberania do povo iraniano. Por isso, ao mesmo tempo em que apoiamos as mobilizações e suas justas reivindicações, rejeitamos qualquer tentativa de intromissão imperialista e do sionismo no Irã. Nem Obama nem nenhum governo imperialista podem se atribuir o papel de defensores das liberdades democráticas quando são os que atacaram e atacam a soberania dos povos do mundo.
Mas rejeitamos a falsa interpretação do governo iraniano, como a do governo venezuelano de Hugo Chávez, de que milhões de pessoas saíram as ruas instrumentalizadas pela CIA e o imperialismo. Isto é falso. Com estes argumentos se pretende ocultar a realidade de mais de dois milhões de jovens, mulheres, trabalhadores e setores populares que saíram às ruas para exigir eleições sem fraude e rejeitaram a repressão.
Estas declarações lembram as do stalinismo quando os povos exigiam suas reivindicações nas ruas e eram esmagados pelos tanques russos com o argumento de ser “um complot da CIA”. Obviamente, o imperialismo e o sionismo querem aproveitar para levar água para seu moinho. Mas em última instancia, é responsabilidade do governo e do regime islâmico iraniano que isto possa ser aproveitado pelo imperialismo seus adeptos no Irã, quando por trás de seus discursos antiimperialistas impede que seu povo se expresse em liberdade e exija e lute pelos seus direitos políticos e sindicais.
Uma mobilização popular revolucionária
Os socialistas revolucionários que, sem dar apoio político ao governo de Ahmadinejad, sempre repudiamos as ameaças políticas e militares imperialistas contra o Irã, convocamos à solidariedade internacionalista com a mobilização popular contra o governo de Ahmadinejad e sua repressão assassina.
No Irã aconteceu uma mobilização revolucionária, com objetivos democráticos: contra a fraude nas eleições presidenciais de 15 de Junho e por eleições democráticas. É uma mobilização progressiva, independentemente que tenha uma condução política burguesa (o candidato Mousavi) porque vai contra um regime e um governo burguês, que vem atacando as reivindicações das massas e suas liberdades para mobilizar e exigir, seja no terreno sindical, estudantil ou popular.
Sem dar nenhum apoio político à direção de Mousavi, devemos estar do lado dos manifestantes contra o governo de Ahmadinejad, que reprime e proíbe as manifestações e ameaçou, junto com o aiatolá Khamenei com um “banho de sangue”.
O Irã demonstra o fracasso dos governos nacionalistas burgueses
Pela primeira vez, após 30 anos do triunfo da revolução islâmica, aconteceu a maior mobilização de massas desde a queda do Xá em 1979. A fraude eleitoral e a proibição às mobilizações canalizaram o descontentamento de milhões que já vinha existindo e se expressava em greves, críticas ao governo pelo desemprego, a queda do salário, exigências estudantis e a luta pela liberdade das mulheres.
Ficou a nu o fracasso do projeto capitalista “independente” do movimento islâmico xiita iraniano. Como antes fracassaram, como “modelos independentes e de igualdade social” o nasserismo, o peronismo e o PRI mexicano. Fracassaram como solução para os povos porque tem sido e são regimes e governos que não saem dos marcos do capitalismo e terminam enfrentando os trabalhadores e os povos com planos de ajuste, apoiando às burocracias sindicais, rejeitando a autonomia sindical, etc., similar por ex., ao que acontece com o governo Chávez na Venezuela ou com Evo Morales na Bolívia.
No Irã, a revolução de 1979 derrubou o regime pró ianque do Xá Reza Palhevi. Desde então se impôs um regime nacionalista burguês, encabeçado pelo aiatolá Khomeini e os religiosos islâmicos xiitas, vinculados à burguesia comercial do Bazar que rompeu relações com os EUA e Israel, o que se mantêm até hoje. O Irã se transformou assim em um país independente das ordens políticas do imperialismo, mas se mantendo nos marcos capitalistas.
As massas e o movimento operário tiveram um papel protagonista nessa revolução. No processo surgiram conselhos ou Shoras operários. Mas, em poucos anos o regime burguês dos aiatolás foi liquidando muitas conquistas democráticas e sociais. As terras foram devolvidas aos latifundiários, os conselhos operários foram dissolvidos, impondo-se conselhos operários “islâmicos” formados pelo governo. Não existe direito à organização estudantil e sindical independente e estão proibidas as greves no setor público. Desde então, este regime autoritário se manteve sob as rédeas do poder. É encabeçado pelo chefe religioso dos xiitas, aiatolá Khamenei, desde 1989 com a morte do aiatolá Khomeini. O poder autoritário mostra-se também no fato de que khamenei designa e controla diretamente a chefia das Forças Armadas, a chefia da Rádio e Televisão, a chefia do poder judiciário e a chefia do Conselho de Discernimento, que por sua vez domina o Conselho dos Guardiães da Revolução. Por votação são eleitos o Presidente e o Parlamento. O que tem variado desde 1979 são os governos, onde distintas alas do movimento islâmico iraniano se sucedem. Por exemplo, os hoje opositores são parte do regime. Mousavi foi primeiro ministro de 81 a 89, sob Khomeini e seu atual aliado, Rafsaniani, foi presidente nos anos 90.
O mal-estar social e as privatizações de Ahmadinejad

Esta rebelião teve sua origem no profundo mal-estar social e político do movimento de massas, que já vem há muito tempo, fruto das políticas antioperárias e antipopulares do governo Ahmadinejad. Esse mal-estar é o que expressa a composição social das marchas, onde se misturam a pequena-burguesia junto com os estudantes, trabalhadores e setores populares.Desde os anos 90 há um plano de privatizações que se aprofundou no atual governo. Nesse plano entraram empresas de telecomunicações, ferro, cobre, alumínio, aço, setores do petróleo, petroquímica, gás, etc. As inversões estrangeiras são formadas por capitais da França, Suécia, Noruega, China, Rússia, Japão, dentre outros. A única exceção são os capitais norte-americanos. Estas privatizações deixaram um saldo de milhares de desempregados, além da queda do nível salarial.
O ataque aos trabalhadores e ao povo tem sido aprofundado em meio à crise econômica capitalista mundial. Tampouco no Irã houve o “descolamento”. Em primeiro lugar, no Irã também houve uma onda especulativa dos bancos privados nos negócios imobiliários que terminou com a explosão da bolha em maio-junho de 2008, que deixou muitos acionistas falidos e uma forte queda no valor das casas com todas as suas conseqüências sobre a classe média e a queda geral do consumo. Em segundo lugar, existe “desde setembro de 2005 (no ritmo das privatizações) uma forte queda do salário real dos grupos sociais mais desfavorecidos e da classe média”. Em terceiro lugar, a “inflação teve mais uma vez uma tendência ascendente, para situar-se oficialmente, em 25% em 2008...e em mais de 60% no primeiro trimestre de 2009”. E, por último, o desemprego está ao redor de 15% (Dados de Ramine Motamed-Nejad do Le Monde Diplomatique, junho de 2009).
A isto temos que acrescentar a queda nos preços do petróleo, que tem diminuído o bolo para reparti-lo para o estado e para os distintos setores da burguesia iraniana. Também no Irã querem que a crise seja paga pelos trabalhadores.
Há mais de um ano crescem as reclamações sociais, as greves (professores, setor do transporte, trabalhadores do açúcar, de pneumáticos, entre outros); houve uma greve dos comerciantes do Grande Bazar de Teerã contra o aumento do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) em outubro de 2008 e houve uma luta universitária importante no início deste ano. O governo respondeu. em quase todos os casos, com a repressão.
Crise econômica e crise nas alturas

Os efeitos da crise econômica capitalista e social aprofundaram a divisão burguesa existente no Irã, que se reflete no choque das distintas alas políticas do regime islâmico iraniano. A ala que detém o poder, o aiatolá Khamenei-Ahmadinejad, estaria ligado ao setor que dirige “as empresas estatais, as fundações islâmicas, que controlam quase um terço da economia e os bazares ou mercados tradicionais”. O liderado pelo ex-presidente Hashemi Rafsanjini, que apóia Mousavi, estaria “mais ligado ao capital estrangeiro (bancos, exportadores, setores do petróleo e a construção) – Dados do Clarín, Argentina, 15-06-09. No setor do petróleo há que se levar em conta que não há capitais e empresas yankis, mas sim da União Européia, da Rússia e China, o mesmo que na indústria automobilística (Citroen, peugeot, Reanult, entre outras).
Por isso, a ala de Mousavi expressaria mais o desejo de uma maior abertura negociadora com o Ocidente e uma linha mais moderada com Israel e os EUA. Mas isto não significa que esta ala já seja 100% pró-ianque, já que, por exemplo, continua apoiando o programa nuclear iraniano, tão questionado pelo imperialismo.
Por sua vez, o imperialismo ianque está na expectativa, sem uma intervenção direta, fruto de sua debilidade no Irã e na região. Obama tinha lançado uma proposta de saída negociada com o Irã. Estava articulando isso quando estourou a crise. O imperialismo vai incentivar uma divisão no regime e seu enfraquecimento para obrigá-lo a entrar em uma negociação favorável a ele e ao sionismo. Nesse sentido lhe conviria o triunfo da ala Mousavi. Mas também sabe que brinca com fogo e não pode estimular um processo revolucionário que poderia sair de suas mãos e incentivar outras revoltas populares no já convulsionado Oriente Médio.

Apoiemos a luta do povo iraniano

Apesar de momentaneamente as mobilizações não tenham a força dos primeiros dias se abriu um processo onde até o poder do alto clero religioso dos aiatolás foi confrontado com as massas na rua. Isso não ocorria desde a revolução de 1979.
Produziu-se uma genuína mobilização democrática, que tem à cabeça uma direção burguesa islâmica, que pode leva-la, se triunfar até uma negociação com o imperialismo ianque. Por isso não damos nenhum apoio político à direção encabeçada por Mousavi, mas à mobilização e suas reivindicações democráticas contra o governo de Ahmadinejad. Não à ingerência imperialista e sionista na crise, não a um pacto com o imperialismo e apoio incondicional à luta do povo palestino.
Sabemos que, por enquanto, a ausência de direção revolucionária é um claro obstáculo para que os trabalhadores aproveitem o processo para ir a verdadeira solução, que seria o triunfo de uma revolução operária e popular que terminasse com o regime autoritário dos clérigos xiitas e com o estado burguês e avançassem em direção a um Irã Socialista.
Mas, existe um processo aberto de mobilização popular que pode contribuir para avançar nessa tarefa. A experiência da revolução de 1979, com a greve geral e o surgimento dos Shuras (Conselhos) operários pode ser retomada. Os trabalhadores participaram das mobilizações. Os operários de Khodro, a maior fábrica de automóveis do país fizeram greve de uma hora por turno em apoio à mobilização e reivindicando aumento de salários. E está lançada a idéia de uma possível greve geral. Apoiemos a organização dos trabalhadores, a juventude, o povo pobre para dar uma saída de fundo, que garanta uma democracia para o povo, reestatizar sob o controle operário as empresas privatizadas, independência nacional, controle operário e popular da economia e que isso se conseguirá se os trabalhadores estiverem no poder, em um Irã Socialista.Nesse sentido, chamamos as organizações políticas, sindicais, estudantis, democráticas, antiimperialistas e de esquerda do mundo a apoiar a mobilização popular, dos jovens, mulheres, trabalhadores e demais setores populares para derrotar a fraude, parar a repressão e conquistar eleições livres e democráticas.
Os socialistas revolucionários organizados na UIT-QI consideramos que seria necessário uma Assembléia Constituinte livre e soberana para debater e resolver sobre tudo: as privatizações, o controle do petróleo, que expulsem as multinacionais, acabar com a corrupção por salário, liberdade e autonomia sindical, o direito das mulheres e da juventude, a necessidade de um estado laico com separação da igreja e do estado, que plano e sistema econômico deveria existir diante da crise; nesse marco, os trabalhadores deveriam defender a necessidade de uma República socialista.
Mas, a luta dever ir mais além porque está colocada a batalha por uma verdadeira ruptura com o imperialismo e com os planos de privatizações e ajuste capitalista. A batalha para conquistar uma verdadeira independência nacional. Existe o perigo de que o imperialismo ianque se aproveite dessa situação. Por isso a tarefa é apoiar a mobilização a partir de uma política independente e desde a perspectiva dos trabalhadores, da juventude e do povo iraniano por uma saída de fundo.
UIT-QI (Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional)28 de junho de 2009

tradução: marcus benedito (PA)